A tradição das bandas musicais


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Musical de Franca durante apresentação no Centro de Franca.
Musical de Franca durante apresentação no Centro de Franca.
No final do do século 19, quando a música cantada ainda não tinha tanta força, as bandas musicais se mostravam muito importantes para o desenvolvimento da canção brasileira. Compositores como Francisco Alves, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Donga, Sinhô, João da Baiana, Anacleto de Medeiros e Noel Rosa viram suas composições serem gravadas por bandas. Entre as mais famosas que existiram está a do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro e a da Casa Edison, que foi a primeira gravadora comercial do Brasil. Por essa época, Franca também já tinha suas bandas, que tocavam nas praças e nas festas. Hoje, mais de 100 anos depois, essa tradição ainda resiste nas mãos de veteranos como Geraldo Antônio Soares, 83, que nem pensa em parar de tocar seu clarinete, e de novatos como Mariana Canavez de Vitta, 22. Os dois fazem parte da Associação Banda Musical de Franca, única que ainda resiste na cidade. Ela foi formada em 1979, da junção da antiga Banda dos Sapateiros e da Banda São José, que pertencia à comunidade da Catedral. A principal atividade do grupo é tocar na Praça Nossa Senhora da Conceição nas noites de domingo. Agora, época de Carnaval, eles se apresentarão no próximo sábado, 17, em cima de um trio elétrico por várias regiões da cidade. No repertório, estarão somente as tradicionais marchinhas de Carnaval. Mas nem sempre é assim. Ao contrário do que acontecia há 30 anos, quando as bandas tocavam maxixes, dobrados, valsas e marchas, hoje esse repertório ganhou ares de modernidade com os rocks, baladas, axé, etc. Segundo o regente Ilton Sérgio Ferreira, essa renovação é importante para que a banda não morra. "No começo tivemos um pouco de resistência dos mais antigos, mas aos poucos isso melhorou", disse. Geraldo de Mello, 77, que toca saxofone e clarineta e está na banda desde 1963, gostou das inovações. "Agora entrou a rapaziada e mudou um pouco. Mas ficou muito bom", disse. Apesar da aprovação, ele não deixa de dizer que gosta mesmo é do repertório antigo. "Ainda bem que sempre tem algum dobradinho, né?". Outra mudança, além do repertório, foi a participação de mulheres na banda. Segundo o presidente da banda, Pedro Ferreira Cândido, 46, essa é a primeira vez que isso acontece. Entre os 24 integrantes, há apenas uma mulher. "No começo foi bem difícil porque eu fiquei com um pouco de vergonha. Mas agora já estou acostumada", conta Mariana Canavez de Vitta, 22, empunhando seu trompete. Se para os mais velhos, a convivência com os mais novos trouxe inovação, para os mais jovens, a convivência com os mais velhos traz experiência. "Eu aprendo muito com eles a cada dia. Além disso, a gente fica mais disciplinado", diz Alex Sander Willian Souza Alves, 20, que veio do Projeto Guri. Para o presidente do grupo, essa renovação é muito importante. "Há cerca de quatro anos nós fizemos uma abertura para colocar pessoas mais jovens na banda. Isso é importante para que a tradição seja mantida".

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