Após Enem, escolas iniciam ano letivo sob pressão


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As escolas públicas de Franca iniciam nesta segunda-feira o ano letivo de 2007 em uma situação bastante delicada. Resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) divulgado nesta semana, mostra que as notas obtidas pelos alunos dessas instituições ficaram bem aquém do esperado: acertaram apenas 41,27% da prova, ante uma média de 57,67% dos estudantes de escolas particulares. Esses índices caíram como uma bomba entre professores, diretores e alunos da cidade. E o pior: quem poderia apontar melhorias e acusar os principais problemas - a direção das escolas e a Diretoria de Ensino - se calou. Na média geral, o resultado do Enem apontou uma queda no aproveitamento das instituições públicas e privadas de Franca e região: de 47,9%, em 2005, para 44,8% em 2006. Contudo, não há dúvidas de que os recursos estruturais e pedagógicos das instituições privadas são maiores. Enquanto os estudantes do Novo Colégio, segundo melhor colocado, contam com a carga horária ampliada e retornos no período da tarde para cursos de idioma, orientação vocacional e reforço, os alunos da escola estadual Agostinho Lima de Vilhena, no Jardim Noêmia, última colocada, sofrem com a indisciplina e falta de estrutura. Falta de laboratório de informática e muros pichados são um desestímulo para os jovens. A informação foi passada por alunos e ex-alunos, que não quiseram se identificar. A direção da escola e a Diretoria de Ensino não se pronunciaram sobre as notas, seguindo orientação da Secretaria Estadual de Educação. EXEMPLO A volta às aulas dos 1,3 mil alunos da Escola Técnica "Dr. Júlio Cardoso", a Industrial, vai ser bem diferente da de outras escolas públicas da cidade. Melhor colocada da rede estadual no Enem, ocupando a sétima posição (confira ranking completo no quadro acima), a escola já pode se comparar com as instituições privadas, que ocupam o topo da lista divulgada pelo Inep. Há duas diferenças básicas entre a Industrial e as escolas convencionais. Uma é o vestibulinho, ao qual todas as pessoas que querem estudar na instituição são submetidas. A outra é o fato de lá não vigorar o sistema de aprovação automática, pelo qual somente os alunos do 3º colegial podem ficar retidos. Lá, os estudantes com baixo aproveitamento de todas as séries precisam repetir o ano. Isso vale, inclusive, para os 360 alunos que cursam apenas o Ensino Médio. "A aprovação continuada é um dos grandes problemas do ensino público hoje", avalia o diretor, Mauriel Abib. Para a pedagoga Zelita Verzola, não se pode fazer uma análise simplista do resultado do Enem. "`É uma análise complexa. Não dá para avaliar parcialmente, dizendo que as escolas estão fracassando por um motivo ou outro. Essa situação tem que ser estudada profundamente, a partir de questionamentos sociais e também das políticas educacionais que são aplicadas no País. Também não se pode criticar somente o ensino público. As escolas públicas e privadas precisam passar por melhoras", diz. "O importante é questionar se é só a escola que tem problemas, ou toda a sociedade também".

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