Os fins de semana na Chácara São José, na região de Furnas dos Garcias, em Franca, estão mais silenciosos. O casal Osmar e Nair Rodrigues, que mora no local há mais de um ano, está há cerca de 15 dias sem receber a visita dos filhos e dos netos. O motivo? São as estradas interrompidas e o desvio por uma serra que ameaça ceder, ocasionados pelas fortes chuvas que caem na cidade desde outubro. Segundo a Secretaria de Obras e Serviços de Franca, pelo menos 241 quilômetros de estradas vicinais de terra estão prejudicados em todo o município.
A situação se agravou com os temporais dos dias 20 e 21 de janeiro. Onze pontes caíram na zona rural. Estradas estão alagadas e enormes buracos se formaram pelo caminho. Para os sitiantes e chacareiros da região do Paiolzinho e de Furnas dos Garcias, a única saída para Franca tem sido um desvio, que aumenta o percurso em, no mínimo, dez quilômetros, mas esse também oferece riscos. A passagem é íngreme, beira um precipício e está cedendo. A Prefeitura de Franca estancou a margem com montes de terra, cascalhou a estrada, mas o perigo continua e os moradores temem que algum acidente aconteça.
Segundo o aposentado Osmar Batista Rodrigues, 66, os seis filhos que moram em Franca deixaram de ir até a chácara com medo de serem surpreendidos com a chuva. “Como chove quase toda tarde, eles ficam preocupados com o deslizamento de terra na serra. Podemos ficar ilhados”.
A comerciante Odete da Graça Gomes Balduíno, dona de uma chácara no Paiolzinho, também diminuiu a quantidade de vezes que vai até a propriedade. “Costumava ir pelo menos duas vezes por semana. Agora ficou mais complicado. O caminho está maior e ficou perigoso”.
Luís Carlos da Silva, 29, serviços-gerais na Fazenda São Jorge, também no Paiolzinho, precisou deixar a filha na cidade para facilitar sua locomoção até a escola onde estuda. “É mais seguro e facilita para ela. Antes andávamos nove quilômetros e já estávamos em Franca, depois que a ponte caiu, o percurso passou para 26 quilômetros e, para piorar, a terra da serra está deslizando”.
O aclive conhecido como Serra dos Garcias também é estreito e dois carros não conseguem passar ao mesmo tempo pela estrada. Na descida, o motorista necessita de bons freios e, no sentido contrário, só se consegue subir em primeira marcha.
Motorista de caminhão, Edivaldo Rodrigues, 25, busca ovos em uma granja da região três vezes na semana e fica preocupado com a condição da estrada. “Se der uma chuva mais forte, a erosão arrebentará com a serra e todos os sitiantes serão prejudicados”. Para visitar a mãe, que mora em um sítio próximo, Rodrigues precisa deixar o caminhão estacionado um quilômetro antes e acabar de chegar a pé.
No condomínio de chácaras Parque dos Ipês, a condição da estrada também é precária. Ao anoitecer, mesmo quem conhece o caminho não sai de casa. Cerca de oito ruas de terra estão intransitáveis e os proprietários de sítios e chácaras reclamam das condições. “É uma vergonha. Colocaram umas placas impedindo o trânsito e não fizeram mais nada. Estão esperando que algum acidente aconteça”, disse uma moradora que pediu para não ser identificada.
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