Samello sonha produzir 181 mil pares em 2007


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Na foto, a linha de produção da Matriz da Samello em Franca é vista vazia em novembro do ano passado. Diretores tentam agora retomar a produção
Na foto, a linha de produção da Matriz da Samello em Franca é vista vazia em novembro do ano passado. Diretores tentam agora retomar a produção
Produzir, ainda este ano, pelo menos, 181 mil pares de sapatos e alcançar um faturamento bruto próximo dos R$ 12 milhões nas unidades de Franca e de Santa Rita (Paraíba). Este é o sonho dos diretores da Samello que, na última segunda-feira, apresentaram à Justiça o plano de recuperação da empresa. O documento de 49 páginas traz um estudo minucioso sobre o passado e o futuro da Calçados Samello. Desde novembro, a empresa está parada. Transformar o sonho em realidade não será tarefa fácil. Tirar o plano do papel ainda depende de fatores que vão muito além da capacidade para fazer bons calçados. Entre eles, a aprovação do juiz da 2ª Vara Cível de Franca, Orlando Brossi Júnior, responsável por acompanhar o caso, e de todos os credores da Samello (só de ex-funcionários seriam mais de 1,5 mil); a venda de imóveis milionários em curto espaço de tempo, a concordância de fornecedores em produzir para a Samello e a boa vontade de ex-funcionários. Apesar disso, Miguel Sábio de Mello Neto, diretor-presidente da empresa, está confiante. "Todos têm interesse na recuperação da Samello. Não vejo motivo para rejeitarem o plano", disse em entrevista esta semana. A audiência para que juiz, credores e fornecedores da Samello possam se manifestar sobre o plano de recuperação deve ser marcada até maio. É também em maio que os seis diretores da família Sábio de Mello pretendem injetar na empresa R$ 3 milhões para que, depois do aceite dos credores, as unidades de Franca e da Paraíba voltem a produzir. O dinheiro viria da venda de bens (não especificam quais). A idéia, se tudo der certo, é começar, em junho, a produção com a fabricação diária de 850 pares. O número que faria qualquer empresário calçadista de pequeno porte sorrir representa menos de 10% do que já foi o volume de produção da Samello. Em 2002, a empresa chegou a fabricar 10 mil pares/dia. Com toda a mão-de-obra dispensada em novembro e os trabalhadores ainda sem receber a rescisão, as duas unidades da empresa terão que contratar pessoal. A princípio, seriam 288 empregados, entre eles, cem funcionários antigos, fiéis à Samello e dispostos a trabalhar. As matérias-primas serão compradas apenas à vista, por isso, na hora de vender os produtos já acabados, os prazos para que os clientes façam o pagamento não poderão ultrapassar os 60 dias. Mesmo sendo menos lucrativo, o mercado interno deverá ser priorizado no início da retomada da produção. "É mais fácil para negociar e a fábrica estará mais próxima do cliente para recuperar sua confiança, o que será fundamental neste processo", disse Simone Barros, advogada contratada pela empresa. Pelo plano, a Samello deve fechar 2007 com 102.306 pares vendidos no mercado interno 79.260 no exterior muito. Muito distante do mais de 1,3 milhão de pares comercializados em 2004. O faturamento bruto das operações deve chegar próximo a R$ 12 milhões. Dinheiro que terá destino certo: o pagamento dos custos de produção e de parte das dívidas acumuladas ao longo dos últimos anos. Ainda assim, a Samello deve fechar o ano com um prejuízo de quase R$ 1 milhão. Colaborou Marcos Junqueira

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