Ao longo dos últimos anos, a Samello acumulou uma dívida que ultrapassa os R$ 90 milhões. A situação de insolvência a levou a recorrer à Justiça para não ir à falência. Agora, para ter a chance de retomar a produção, a empresa tem que correr contra o tempo. Até 31 de dezembro do ano que vem, precisa vender seis imóveis milionários. A lista com os bens está anexada ao plano de recuperação e não inclui a Fazenda Sudamata, situada no Mato Grosso e avaliada em R$ 60 milhões. Apontado durante meses como a "maior esperança" para sair da crise, o imóvel não está mais à venda.
A sede onde a Samello funciona desde 1953, no entanto, não escapou. Está à venda por R$ 17,5 milhões. Os outros imóveis oferecido no plano de recuperação judicial são os terrenos e os barracões da Vaccaro e da Charm (empresas ligadas ao mesmo grupo, sendo que a segunda fechou em 2005); uma fazenda de gado em Uberaba (MG); uma área próxima ao Castelinho e outra em frente à sede da Samello, na Rua Homero Alves. No total, as propriedades estão avaliadas em R$ 48,7 milhões.
Os corretores de imóveis ouvidos pela reportagem avaliaram como complicada a negociação destes bens em um período de dois anos. Proprietário da Plano Imóveis e no mercado imobiliário há 30 anos, Antônio Henrique Pereira Meirelles disse que a maior dificuldade estará na venda da sede da Samello. "Aquele imóvel vale entre R$ 12 milhões e R$ 12,5 milhões (está avaliado em R$ 17 milhões). Para mim, levará mais de dois anos para ser negociado e começar a entrar dinheiro".
Para um outro corretor, com dez anos de experiência e que pediu para não ter o nome divulgado, nenhum dos imóveis relacionados na proposta têm liquidez para "virar dinheiro" rapidamente. "Dá para negociar esses bens em até um ano, mas isso não significa dinheiro no bolso. Como os valores são altos, é preciso dar um bom prazo para o pagamento. Em menos de três anos, é muito difícil que qualquer um deles esteja totalmente pago", disse.
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