O plano de recuperação da Samello apresentado nesta semana à Justiça sinaliza uma dura perspectiva: mesmo que se recupere e consiga pagar suas dívidas que hoje alcançam os R$ 90 milhões, a Calçados Samello não voltará a ser a potência calçadista do passado.
Se tudo correr como planejado, daqui a 12 anos a empresa estará trabalhando com uma produção anual de 486 mil pares, pouco mais de um terço do que alcançou em 2004, quando foram produzidos 1,37 milhão de pares.
Um ano depois da enorme produção, veio a crise. Em doze meses, a empresa, que desde 2001 já vinha apresentando sinais de problemas financeiros, deixou de fabricar mais de meio milhão de pares, perdendo mais de R$ 40 milhões de receita.
Mesmo com o encolhimento nos pedidos, optou manter sua estrutura apostando numa retomada do mercado que não se concretizou. Durante 2005, amargou prejuízos cada vez maiores. Chegou ao absurdo de ter um custo de produção maior que a receita arrecadada com a venda de seus produtos. A Samello pagava para fabricar calçados em vez de receber por isto. No início de 2006, o gigante já agonizava.
Sem conseguir cumprir prazos de entrega com compradores estrangeiros e com dificuldades para honrar seus compromissos no Brasil, foi paralisando sua produção pouco a pouco. Em agosto, desativou a linha de produção da unidade da Avenida Presidente Vargas, em Franca, e a unidade de Santa Rita, na Paraíba. Em novembro, paralisou a fabricação na Matriz.
Para evitar a falência, em 24 de novembro do ano passado, ingressou com o pedido de recuperação judicial para o pagamento de mais de R$ 90 milhões em dívidas com bancos, fornecedores e ex-funcionários.
Na última segunda-feira, entregou à Justiça o plano de recuperação, feito pela empresa Plancorp Consultoria Ecônomica e Financeira (a mesma que fez a recuperação da Varig), e agora depende da aprovação dos credores e do juiz Orlando Brossi Júnior.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.