Carne ou tomate? Essa é a dúvida que passa pela cabeça dos francanos na hora de abastecer a geladeira. O quilo do tomate, produto mais utilizado para as saladas, teve um aumento médio de 91,20% nos últimos meses e chega a custar, em Franca, R$ 3,80, mesmo preço de um quilo de acém.
Em média, o francano pagou R$ 2,67 pelo quilo do fruto em janeiro. O produto custava R$ 1,39 em novembro. Os dados são do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), do Uni-Facef. Se considerarmos que uma família de quatro pessoas consome, em média, nove quilos de tomate ao mês, o gasto extra é de R$ 11,48.
A alta do preço influiu no valor da cesta básica em Franca, que aumentou 7,40% entre novembro e janeiro. O que antes se comprava com R$ 131,96 agora custa R$ 141,72. A diferença - R$ 9,76 - só não é maior porque alguns itens, como a carne, tiveram queda.
As donas de casa reclamam e diminuem a quantidade, mas não deixam de levar o produto. A costureira Anita Gomes Pires, 53, percebeu o aumento no preço logo na primeira semana de janeiro. “Está o dobro do que pagava em dezembro. Precisei até reduzir as saladas”.
PREVISÃO
Especialistas indicam que o preço do tomate deve aumentar ainda mais por conta das chuvas. O gerente de agronegócios da Prefeitura e ex-produtor de tomates Marcos Antônio David, afirma que o excesso de umidade prejudica a colheita, pois o fruto fica mais vulnerável às doenças e apodrece com facilidade.
“É a época mais difícil de produzir. O tomate não gosta de muita água em suas folhas”.
David disse ainda que, como a produção em estufa é cara, o produto passa a faltar no mercado, o que inflaciona os preços. Ainda segundo ele, a alta deve permanecer até meados de junho.
Para os feirantes, além do problema de produção, a chuva dificulta o transporte. Paulo César Dadine, um deles, precisou diminuir a quantidade de tomate comprada. “Antes de janeiro, comprava até 15 caixas ao mês. Hoje, são só oito”.
O LEVANTAMENTO
A pesquisa que indicou a alta do tomate em Franca acompanha mensalmente os preços de 13 itens, entre eles carne, leite, feijão, arroz, pão, óleo e café. No período de 46 dias, além da elevação do tomate, o Ipes observou que o café (9,17%) e a farinha de trigo (5,81%) tiveram aumento significativo.
Na lista dos itens em queda, a batata foi a de maior variação. Com base no consumo de seis quilos por mês, o francano tem pago até R$ 0,88 a menos no preço médio do produto, uma redução de 18,80%.
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