Desamparados


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596 maus-tratos; 953 crianças e adolescentes vítimas de negligência e abandono; 33 assediadas e abusadas sexualmente; 12 envolvidas com prostituição e 932 ocorrências de rebeldia. As estatísticas do Conselho Tutelar de Franca registradas durante 2006 expõem o volume de menores que precisam de socorro. Mas, aos ameaçados, restam poucas alternativas de "salvação", especialmente nos casos mais graves, quando precisam ser retirados do convívio familiar. Ao fazer os encaminhamentos para proteger as vítimas, os conselheiros tutelares esbarram em séria deficiência: a carência de espaços apropriados para acolhê-las na cidade. A Casa do Aconchego é o único local estruturado para receber menores vitimizados, mas, segundo os conselheiros, o local, que tem capacidade para 20 crianças, geralmente trabalha no limite. Há ainda a limitação de idade. A casa acolhe apenas crianças de até 12 anos. A situação dos adolescentes é ainda mais complicada. Aqueles que enfrentam problemas e devem ser retirados dos familiares podem ser acolhidos por participantes do Programa Família Acolhedora. Cerca de 45 famílias de apoio e eventuais cuidam deles por tempo indeterminado ou durante férias e feriados, respectivamente. Mas, nesse trabalho, existe resistência em aceitar meninos e meninas mais velhos. Quando não há possibilidade de inseri-los no programa, os que têm mais de 12 anos acabam levados para o Abrigo Provisório Municipal. O espaço é totalmente desestruturado para esse tipo de atendimento. "A adolescência já é uma fase complicada e, se os jovens têm problemas com drogas ou familiares, precisam de assistência diferenciada. No abrigo, não temos atividades específicas para a idade deles nem acompanhamento especializado", disse Márcia Garcia, assistente social que trabalha no abrigo. O local tem recebido pessoas como Renata (nome fictício). A garota de 17 anos, do Paraná, veio para Franca morar com a irmã depois do pai ficar doente e morrer. As duas não combinaram e viviam brigando, o que motivou Renata a sair de casa e consumir drogas. Encontrada pelo Conselho Tutelar na rua, foi levada para o abrigo em julho de 2006. Já faz mais de seis meses que está na entidade e deve continuar até o juiz definir seu destino. Talvez, ela se mude para a casa da madrinha no seu Estado de origem. A falta de um local para acolher crianças e jovens maltratados, abandonados, abusados sexualmente ou vítimas de alcoolismo e usuários de drogas dentro de casa deve continuar, mas por tempo determinado. A Prefeitura, em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), lançará o projeto Aldeia SOS nos próximos meses. COMO SERÁ A previsão é terminar a construção da Aldeia no primeiro semestre de 2007. Serão investidos mais de meio milhão de reais para construir, no Jardim Pinheiros, nove imóveis: oito com dormitório para a mãe, quartos, banheiros femininos e masculinos, lavanderia e cozinha, além de uma unidade para a nova Casa do Aconchego, que será transferida. Os espaços funcionarão como casas-lares e terão 32 vagas no total. Cada imóvel terá uma mãe-social, responsável por administrar a unidade, ou seja, cuidar do orçamento, preparar refeições, limpeza, educar os jovens, ajudar na lição de casa e passeios. "A Aldeia é um equipamento que permitirá um atendimento mais eficaz, de caráter familiar", disse Roberto Nunes Rocha, secretário de Desenvolvimento Humano e Ação Social. Os usuários poderão ficar um período no local e depois retornarem para a família de origem, ser adotados ou morar na aldeia até completarem 18 anos. "Depois dessa idade, vão viver independentes, mas respaldados pela formação oferecida pela mãe social", disse o secretário.

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