Os herdeiros do reino


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A palavra de Deus que será proclamada nas celebrações eucarísticas deste domingo quer desmascarar nosso “eu” tantas vezes apegado a inúmeras situações tristes na caminhada para o céu. A primeira leitura da missa é um pequeno trecho da profecia de Jeremias. O profeta Jeremias é um dos profetas que mais desmascara as falsas seguranças pessoais e sociais. Os versículos que serão proclamados põem lado a lado uma maldição e uma bem-aventurança. Elas são explicadas com as imagens da roça. Quem põe sua confiança nos homens é comparado a um “arbusto desfolhado do sertão seco” e aquele que confia no Senhor é como “árvore plantada junto às águas que lança raízes em direção à torrente... a sua folhagem está sempre viçosa”. O trecho do profeta Jeremias tem uma palavra-chave que provoca o seu sentido pleno: é a “confiança”. Ela é a base sólida sobre a qual se deve construir a vida. No dia-a-dia corremos um risco muito grande em querer ocupar o lugar de Deus, outras vezes adquirimos “ídolos”, que podem ser pessoas que se apresentam como “modelo” para nossa vida ou “bens” que querem nos dar sustento. Todos nós andamos em busca de seguranças e quantas vezes experimentamos a desilusão de ter absolutizado coisas ou pessoas. Sempre é bom lembrar: a única saída é deixar que Deus seja a base sólida e insubstituível da nossa vida. Conforme a etapa da vida que estamos vivendo, possuímos alguns planos: compramos, compramos e compramos. Temos tantas coisas que não conseguem trazer realizações para nós. Vivemos rodeados de objetos caros, bonitos mas... sós! E por quê? A verdade é que eles não falam, não recolocam a alegria e a esperança em nós. O caminho é: não preciso viver na miséria, mas, não posso esquecer ou desprezar Deus que é “a vida” que busco. O evangelho nos relata Jesus iniciando uma nova sociedade completamente diferente da que existia no seu tempo. São Lucas mostra que ao redor de Jesus existem pessoas de todas as raças e regiões, sinal de que, em todos os tempos e lugares deve-se proclamar que o Reino de Deus pertence aos pobres. Jesus mostra por que uns conseguem tudo e outros nada. É justamente porque as relações sociais estão corrompidas pela ganância, lucro e falta de solidariedade. Jesus é aquele que constrói sociedade e história novas a partir dos empobrecidos, aos quais confia o Reino. A realidade social que vivemos não é diferente nem melhor da situação do povo no tempo de Jesus. Hoje existem pessoas muito ricas e outros famintos e aflitos. Ninguém pode condenar ninguém, mas é tarefa do missionário de Deus alertar o perigo do acumular bens sabendo que outros estão sofrendo a dor da miséria. Na segunda leitura São Paulo nos ajuda a compreender que Jesus é portador de vida desde agora para os corpos mortos do nosso povo. A ressurreição de Jesus é uma ordem para nós: deixar morrer o homem velho que existe em nós e abrir o coração para as transformações que Deus quer fazer em nós. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral Sé, de Franca

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