Filhos de Ghandi


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Prestar uma homenagem ao homem do campo. Este é o objetivo da escola Filhos de Ghandi, primeira agremiação a desfilar na noite do domingo de Carnaval, levando para a Passarela do Samba o enredo Olhai o homem do campo. Contando com três carros alegóricos e 180 passistas divididos em oito alas, a escola vai mostrar o contraste entre as belezas naturais da zona rural e a dura realidade enfrentada pelos agricultores no dia-a-dia. A comissão de frente será composta por um grupo de teatro fantasiado como bóia-fria. “Será uma singela homenagem para aqueles que acordam ainda de madrugada e arriscam suas vidas debaixo do sol escaldante para trabalhar na colheita da cana-de-açúcar”, disse o presidente da escola, Lázaro Barato. No desfile também estarão presentes mais de 60 militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) que estão assentados na Fazenda Boa Sorte, em Restinga. “Eles lutam pelo direito de ter um pedaço de terra, querem produzir. Não poderiam ser esquecidos em nosso enredo” ressalta o presidente. Como não cumpriu o regulamento do Carnaval no ano passado, a escola recebeu apenas R$ 7 mil de ajuda da Feac (Fundação para o Esporte, Artes e Cultura). Mesmo com o corte na verba, os componentes da escola prometem se desdobrar para conquistar o título do Carnaval este ano. Para cativar o público e conquistar os jurados, Lázaro Barato aposta suas fichas no samba-enredo. “A letra é muito bonita e fácil de cantar. Com certeza vamos levantar o público durante nosso desfile”. A rainha da bateria da Filhos de Ghandi, Jucélia Xavier, não vê a hora de colocar os pés na avenida. “Estou muito ansiosa, mas na hora que o desfile começa o nervosismo passa e é só alegria”. No centro comunitário do Parque Vicente Leporace, mais de 15 pessoas trabalham dia e noite na confecção das fantasias da escola. Os ensaios são diários e ocorrem às 21h30, no mesmo local. Além do Leporace, a escola representa os bairros Jardim Portinari, Vera Cruz e Cambuí.

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