Domingo, a partir das 8h30, cerca de 30 companhias de Reis de Franca e região vão se encontrar no Centro Comunitário da Vila São Sebastião. Será o tradicional encontro, organizado a-nualmente na cidade pela Companhia de Reis Irmãos Costa. Além de sete companhias de Franca, devem participar grupos de cidades como Alpinópolis e Itaú de Minas, onde essa tradição ainda é muito forte.
Nesse encontro, que começa com uma missa na Igreja de São Sebastião, as folias se encontram para comemorar as atividades do ano, louvar o Menino Jesus e entoar seus cantos tradicionais, quase como um lamento. O clima é de simplicidade, como em qualquer apresentação das folias de reis, mas também de muita fé e oração.
Divino Costa, 65, coordenador da companhia Irmãos Costa, a mais antiga de Franca, espera cerca de 3,5 mil pessoas para o almoço que será servido durante o encontro. “A gente se prepara para essa festa o ano inteiro. Vai ser um evento muito bonito”. Tudo é preparado com o dinheiro arrecadado pela companhia em suas apresentações e também com doações de pessoas da comunidade. “É muito difícil manter essa tradição. Mas a gente faz isso com fé e amor”, diz Divino, que garante que só vai parar com a folia de reis quando morrer.
HISTÓRIA
As Folias de Reis surgiram em Portugal, no século 17, e chegaram a terras brasileiras no século 18, por causa da colonização portuguesa. É uma festa sa-grada e ao mesmo tempo folclórica, já que é uma demons-tração de fé, mas não faz parte da liturgia oficial de Igreja Católica.
Durante a apresentação, um grupo de Folia de Reis narra por meio da música e da dança a viagem dos três Reis Magos a Belém. Baltazar, Gaspar e Belchior saíram do Oriente quando souberam do nascimento de Jesus e levaram Ouro, Incenso e Mirra para o Cristo que havia acabado de nascer.
Nas suas andanças, a folia entra nas casas dos devotos para cantar ao lado do presépio e louvar o Menino Jesus. Ao lado dos cantadores andam os palhaços, que representam os soldados de Herodes, o rei que pediu para matar todas as crianças recém-nascidas na espe-rança de que uma delas fosse o Menino Jesus. Tudo para não perder o reinado.
Geralmente os foliões são recebidos com um farto almoço ou jantar. Mas nunca se pode comer antes de rezar o terço. Apesar de toda a festa que ladeia uma apre-sentação de Folia de Reis, o mais importante é mesmo a manifes-tação de fé.
O símbolo mais sagrado de uma Folia de Reis é a bandeira, que sempre vai à frente do cortejo, é beijada e respeita pelos foliões e fiéis. É nela que as pessoas colocam fotos, imagens, símbolos e presentes como forma de agradecer as graças alcançadas. No encontro de domingo, muitas dessas bandeiras se encontrarão para mostrar que a fé popular não deixa morrer uma tradição.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.