Marcelinho é um cara simpático e bom de papo. Um chopinho com ele deve render boas histórias. Não aparenta ser um criminoso e parece se divertir com as confusões que apronta. Quem não conhece suas artimanhas é capaz de não acreditar nos golpes que aplica. Até mesmo um experiente oficial da PM já caiu em sua lábia e perdeu um veículo. Inteligente e profundo conhecedor dos bastidores da polícia e do mundo do crime, faz segredo sobre a maneira como consegue fugir com tanta facilidade.
O Comércio acompanhou sua prisão ontem. Ele pouco falou e não esclareceu as dúvidas existentes. Antes de gravar entrevista, chegou a pedir um tempo para se recompor. “Agora, estou com a cabeça quente. Daqui a pouco falo com você”. Logo depois, pediu para conversar a sós com o delegado Daniel Radaeli e implorou para ficar preso em Pedregulho e disse que em troca passaria algumas informações. “Comigo não tem acordo”, retrucou o policial. Marcelinho tentou defender o amigo que lhe deu fuga e disse que o mesmo não sabia que ele havia escapado da cadeia. “Pode confiar em mim. Estou falando a verdade”. Só conseguiu arrancar risos dos policiais.
Mesmo sem condições de esfriar a cabeça, o golpista aceitou dar entrevista, mas não encontrou resposta para explicar os motivos pelos quais fugiu. “Vou falar o que?”. Um policial sugeriu que dissesse que estava com medo das ameaças que recebia. “Mas ninguém me ameaçou”, rebateu. Depois de muito pensar, respondeu. “Foi cinco minutos de bobeira que tive (sic)”.
Contou que veio diretamente para Franca, mas se negou a dizer quem o ajudou. Também falou que pretendia se entregar e deixou sem resposta uma pergunta que não quer calar: Fugiu pela porta da frente ou pelos fundos? Teve facilitação? “Você acha que vou f...os policiais?”, limitou-se a dizer.
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