O ciclo do medo


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O mundo de 1930 era particularmente pessimista. A causa, o sentimento de que nada se oporia ao desejos dos fascismos liderados por Hitler a partir de 1933 e até as derrotas iniciais de 1940-1941, ocorridas tanto nos céus da Europa, quanto nos da Ásia. Forçoso é não desprezar algumas vitórias parciais por parte da coalizão anti-hitlerista, que por mais irrelevantes que fossem não podem ser desprezadas quando se analisam os momentos subseqüentes em seu conjunto. Pequenas pedras no sapato de Hitler, como por exemplo, a abdicação do rei Eduardo VIII da Inglaterra, o desgaste do fascismo espanhol que levou Franco a desistir de participar da guerra em 1940, afinal, mesmo com vitórias significativas do eixo Berlim-Roma-Tóquio, tornaram-se parte da base do edifício que criou o paradigma de democracia que conhecemos atualmente. Nos dias atuais é quase impossível pensar que todas as regiões do mundo pudessem impor aos EUA um desequilíbrio econômico e social tão desastroso que se fizesse sentir em todo o planeta. Imaginem se todos os sinais de alerta se acendessem ao mesmo tempo, isso em relação à questão econômica; por exemplo, suponha-se que todas as regiões do mundo, por unanimidade, pudessem provocar uma avalanche de dificuldades para os EUA, fazendo com que houvesse uma significativa alta do preço do petróleo, ou mesmo a estabilidade da Arábia Saudita, ou recuo da China de se aliar a OPEP. Todos esses eventos reunidos deixariam os extremistas iranianos e os panbolivaristas (aqueles que pretendem fazer da América Latina uma potência comunista), bem mais ousados. Não haveria a necessidade de que todos esses eventos ocorressem simultaneamente, mas apenas a combinação de alguns deles desencadearia sérios problemas. Em curto prazo a posição econômica dos EUA tornar-se-ia precária, seja com o endividamento familiar em decorrência da interrupção da poupança, ou do déficit orçamentário e da balança comercial, o que acabaria provocando um desequilíbrio global e a conseqüente ruína do modelo capitalista atual. A perturbação no projeto americano de globalização levaria a vitória das forças autárquicas da China, que já existem, mas que ganhariam força e levariam desenvolvimento ao interior do país e protegeriam a indústria moderna, graças a parcerias geo-estratégicas com países como a Coréia do Sul, Paquistão e alguns países do Sudeste Asiático, cujas forças obteriam um ganho efetivo e se implantariam nos EUA e na Europa, estabelecendo, inclusive, um acordo histórico com o Japão. E acredite, a China já faz isso com Chavez e Fidel, na América Latina, com o Zimbábue na África do Sul, e de forma mais discreta com os militares paquistaneses mais antiamericanos e antiindianos. Com essa reviravolta, a China levaria consigo outras potências que se encontram na dúvida, a um novo eixo antiglobalização. O Ocidente seria seriamente afetado pelo poder desse novo eixo, o islamismo radical manteria suas alternativas com mais força no Oriente Médio e “as brasas mal apagadas” da Al Qaeda renasceriam com mais força. É esse um dos cenários mais temidos atualmente pelo Ocidente, uma vez que a seqüência dos fatos e o seu desenlace podem fazer com que o paradigma mundial atual mude totalmente de direção, ou mesmo desapareça. NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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