O resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) mostrou que a distância entre a escola pública e a particular é cada vez maior. Basta observar os índices de desempenho dos alunos no ano de 2006. Das dez primeiras colocadas no ranking, oito são particulares. A diferença de pontos entre a melhor colocada da rede pública e a melhor das unidades particulares chega a 14,65.
Entender os motivos do mau desempenho de estudantes das escolas públicas é um direito de todo cidadão, mas quem poderia explicar o que acontece e corrigir as falhas, que é a Secretaria de Estado da Educação, simplesmente não se pronuncia. Apesar disso, não é preciso pesquisar muito para perceber as diferenças que separam o ensino particular do público.
Laboratórios, professores mestres, grade curricular de 44 horas semanais e cursos intensivos pré-vestibular fazem parte do universo que um estudante de escola pública não conhece. No Alto Padrão, por exemplo, os alunos contam com laboratórios, clínicas, biblioteca, especialistas em diversas áreas do conhecimento e centro esportivo. "Oferecemos amplo suporte ao aluno, material didático e apoio na formação do aluno para avaliações em âmbito nacional", disse Roselane Alarcon, diretora do Alto Padrão.
Mesmo no Colégio Caetano Caprício (Anglo) que se manteve acima da média, porém, na última colocação das particulares, os alunos contam com ensino diferenciado. Dos 45 professores, 30 têm mestrado e alguns ainda fazem ou terminaram doutorado em universidades reconhecidas. "Os professores procuram desenvolver a criatividade dos estudantes para exames como o Enem e, claro, para o vestibular", disse Clarice Ferreira Caprício Andrade, diretora.
O cenário que envolve as escolas públicas é bem diferente. Indisciplina, falta de rigidez por parte de educadores e até mesmo problemas de infra-estrutura acabam afetando a qualidade do ensino oferecido. A Escola"Agostinho Lima de Vilhena", do Jardim Noêmia, é um exemplo. Com apenas três anos de existência, ela conseguiu alcançar pouco mais da metade de pontos da primeira colocada no Enem e se classificou como a pior do exame.
Ex-alunos apontam o desinteresse deles próprios como um dos motivos para o péssimo desempenho. "Quando estudava lá, todos os alunos combinavam de não ir na sexta-feira. A escola ficava praticamente vazia", disse JA, 18. A falta de aplicação dos alunos pode ser, em parte, culpa do Estado, que não desperta neles a vontade de estudar. Na unidade, faltam laboratórios para aulas práticas, como por exemplo, o básico que seria de Ciências e Informática. O desprezo também vem da comunidade, que pichou os muros externos da escola que têm poucos anos de vida.
Colaboraram Alex Arcanjoleto, Mônica Carvalho e Nelise Luques
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