A Sabesp admitiu, ontem, que não há solução: toda vez que chover forte, vai faltar água em Franca. O problema é a grande quantidade de terra e sujeira que se misturam à água do Rio Canoas durante as tempestades. Com o barro que se forma, a Sabesp não consegue limpar a água para distribuir à po- pulação. Ontem, aproximadamente 40% das casas francanas e toda a cidade de Restinga ficaram com as torneiras secas. Em outros casos, ao invés de água, as famílias recebiam barro. Para piorar, mais cortes devem acontecer hoje.
A transparência da água é medida por unidades de turbidez (quantidade de sujeira), que vão de zero a cem, índice máximo recomendável para um tratamento adequado. Desde quarta-feira, a quantidade de barro, areia e saibro aumentou muito, o que compro- meteu o trabalho na Estação de Tratamento e deixou sem água cinco grandes regiões (Leporace, Estação, Dermínio, São Joaquim e São Sebastião), atingindo diretamente 131 mil pessoas.
O químico Rui César Bueno, gerente do setor de tratamento da Sabesp em Franca, disse que o índice de sujeira na água chegou a estar 130 vezes acima do ideal. “O normal é cem unidades de turbidez. Na quarta-feira, foi até 13 mil e hoje (ontem) está em mil, o que ainda é muito”, disse.
Toda a água suja teve de ser descartada para o esgoto. A medição de turbidez passou a ser feita diretamente no rio e a captação só pôde voltar, aos poucos, na quarta-feira, quando a água do Canoas ficou mais limpa. O abastecimento só deverá voltar totalmente ao normal amanhã. “Hoje (ontem) tivemos de desligar a estação por quatro horas até termos condição de voltar a trabalhar nos parâmetros legais. Isso afeta muitas pessoas”, disse Rui Engrácia, gerente distrital da Sabesp.
O problema é que se as chuvas forem constantes e, quanto mais tempo o rio demorar a voltar ao normal, mais tempo a população ficará sem água. O gerente de empreendimentos da Sabesp, Natanael Silva Júnior, deu um prognóstico preocupante. Disse que se cair outro temporal como o de terça-feira, o problema ocorrerá,inevitavelmente, outra vez. “Foi um fato atípico. Nunca a turbidez chegou a um nível assim. É como se cair um caminhão de ácido sulfúrico em um rio. Vai parar tudo. E se cair, tempos depois, outro? Pára de novo. A chuva é um fenômeno que não dá para controlar”, disse.
Opinião semelhante tem o químico Rui César Bueno, responsável pela Estação de Tratamento. “É necessário alertarmos para que a população fique ciente. Se chover em condições normais, tudo bem, mas se caírem chuvas torrenciais, novamente teremos problemas”.
Em situações como a de terça-feira, segundo a Sabesp, não é possível saber quem ficará sem água. Natanael disse que só há como priorizar o abastecimento, via painel central de controle, para bairros que contam com hospitais, por exem- plo, em cortes programados.
“Quando constatamos que a água do Canoas chega muito suja, paramos na hora de captar e fornecer. É uma situação imprevista. Aí, vai depender do estoque de cada um dos reservatórios (34, ao todo, na cidade). Onde tiver mais água, tardará mais a acabar”, disse.
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