Ongs da saúde


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Não há exagero quando se afirma ser a precariedade dos serviços médico-hospitalares públicos um dos mais graves problemas brasileiros. A maioria da população (150 milhões de habitantes) é assistida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e apenas 21% (40 milhões) têm acesso à medicina privada, principalmente por meio do seguro-saúde. Além de atentar contra a qualidade de vida, a debilidade do SUS provoca danos econômicos: é de R$ 420 milhões anu-ais o prejuízo provocado pelo tempo de trabalho perdido pelos pacientes nas filas do atendimento, demonstra estudo do IPEA. Os 5.864 hospitais e as clínicas do sistema registram 11,6 milhões de usuários/dia, incluindo consultas, exames e internações, mas a espera média nas filas é de quatro dias e 12 horas. Seu custo é de 29 a 58 reais por pessoa, variando conforme a idade e a renda. Os dados ampliam o significado da cidadania empresarial, que, felizmente, evolui no Brasil, onde o Terceiro Setor cresceu 71%, entre 1995 e 2002, segundo relatório do Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), em parceria com The Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, instituição norte-americana que estuda as organizações sem fins lucrativos. O número de instituições passou de 190 mil para 326 mil. Estudo do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife) demonstra que 462 mil empresas brasileiras (59% do total nacional) declaram realizar, em caráter voluntário, algum tipo de ação para a comunidade, investindo nisso R$ 5 bilhões/ano. Entretanto, os projetos de saúde incluem-se entre os que, proporcionalmente, recebem menor atenção: 54% das empresas que declaram aplicar recursos investem em ações de assistência social; 41% contemplam alimentação e abastecimento; 19%, educação e alfabetização; 19%, desenvolvimento comunitário e mobilização social. Apenas 17% informam investir na saúde, que empata com esportes e fica à frente apenas da cultura, com 14%. Há organizações que atuam em mais de um segmento. Os números sugerem haver uma interpretação equivocada da realidade das ong`s da saúde, como se instituições bem geridas, com visibilidade na mídia, instalações e tecnologia de bom nível e fontes permanentes de receita não precisassem do apoio da sociedade e das empresas. Por conta dessa distorção de imagem, certamente ligada a um fenômeno de comunicação e jamais à má vontade da comunidade, várias organizações enfrentam problemas para atender à demanda. Assim, além da mobilização cívica no sentido de que o Estado cumpra seu dever constitucional, é importante ampliar o apoio da iniciativa privada às organizações do Terceiro Setor que atuam na saúde. EDUARDO DE ALMEIDA CARNEIRO é empresário e presidente voluntário da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

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