R$ 1.960. Esse é o valor que deixou os cofres públicos depois que o então presidente da Câmara de Franca, Marcelo Mambrini (PMN), utilizou, durante um ano inteiro, um telefone celular registrado em nome do Legislativo. A conta, acumulada entre janeiro e dezembro de 2006, revela uma média mensal de gastos de R$ 163,33. Mambrini admite o uso do aparelho e não vê problemas no ato.
Até 2005, o telefone celular era utilizado por um motorista da Câmara. Em setembro, o funcionário se aposentou e Luiz Carlos Fernandes (PDT), que presidia a Câmara na época, resolveu encostar o aparelho. “Mandei baixar ele na CTBC e deixar arquivado”, disse. Quando Mambrini assumiu a presidência, em janeiro de 2006, resolveu assumir o controle do aparelho, mesmo já tendo outro celular.
O Comércio não teve acesso à conta detalhada do número ontem. O vereador do PMN garante, porém, que a motivação das ligações foi profissional. “O telefone é da Câmara. Entre ele e um ramal, não há diferença. Enquanto presidente, julguei necessário usar em algumas ocasiões e utilizei”.
Questionado se as “situações de necessidade” não seriam muitas para uma conta de quase R$ 2 mil, o ex-presidente se defendeu com um auto-elogio. “Se for considerar o tanto que trabalhei naquela Câmara, talvez não seja”.
Sem dar nomes, Mambrini disse que há, na Câmara, “inúmeros” ramais com médias de contas mais altas que a sua. Justificou ainda que o uso do celular da Câmara teria ocorrido quando o seu não estava funcionando. “Tinha situações que não eu era localizado pelo meu, mas pelo outro”.
Para o vereador do PMN, a hipótese de devolver um centavo sequer aos cofres públicos está descartada. “O telefone foi gasto para o trabalho. Só (devolvo) se todos os vereadores começarem a devolver o dinheiro gasto com seus ramais”.
ABSURDO?
O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), disse que não pretende cobrar de Mambrini os valores gastos no ano passado. Para Joaquim, uma cobrança só se justificaria se houver ligações feitas neste ano. “Era legítimo o uso do telefone. Se houver algum gasto na conta de janeiro, aí, sim, cobrarei”, disse.
Para o presidente que determinou a desativação da linha, a situação não é tão simples. “Telefone celular para presidente carregar, por conta da Câmara, eu nunca vi e acho um absurdo (...) é pior que o disque-sexo”, disse Fernandes.
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