A recuperação da Calçados Samello demorará, no mínimo, 12 anos. Essa expectativa consta do plano de recuperação entregue à Justiça na segunda-feira. Tal previsão, porém, não significa que a empresa pretende voltar a ser a uma potência e ficará livre de dívidas. Pelo contrário, traz ambições relativamente modestas de produção e o reconhecimento de que, em 2019, ainda deverá R$ 20 milhões do rombo atual, de R$ 90 milhões.
A “modéstia” nas expectativas da Samello pode ser constatada em sua previsão de faturamento bruto para os próximos anos. Se tudo acontecer dentro do esperado, em 2019, a Samello estará faturando R$ 34,7 milhões por ano, o que significa aproximadamente um terço do resultado obtido em 2004, por exemplo, que foi de R$ 109,4 milhões.
Segundo a advogada da empresa, Simone Barros, essa cautelosa perspectiva faz parte da política “pés no chão” que a Samello pretende implantar caso volte, realmente, às atividades produtivas. “Serão menos funcionários, menos produção, mas uma consciência maior em relação à obtenção de resultados”.
Outra novidade na eventual retomada da Samello seria uma predileção para o mercado interno, o que iria contra a antiga filosofia de priorizar as exportações. Nos últimos anos, em média, a empresa vendeu para outros países, principalmente Estados Unidos, 70% do que fabricou, com picos de até 77%. Para o futuro, já a partir deste ano, o percentual cairia para, no máximo, 42%.
“A Samello precisa reconquistar seus clientes, aproximar-se deles, o que ocorrerá com mais tranqüilidade no mercado doméstico”, disse uma fonte ligada à diretoria.
FINANÇAS
Para voltar a gerar rendas e amortizar as dívidas, a Samello estipula dois pilares principais para levantar recursos: a venda de imóveis (avaliados, de acordo com o plano de recuperação, em R$ 53 milhões) e retomada das atividades, que geraria mais divisas.
Segundo as projeções da empresa, a dívida não acabará até 2019, mas poderá se tornar “administrável”. Dos atuais R$ 90 milhões, o déficit cairia para R$ 34 milhões em 2008; R$ 30 milhões em 2011; R$ 25 milhões em 2015 e, em R$ 2019, portanto, chegaria aos R$ 20 milhões o que, para a Samello, seria um valor “perfeitamente aceitável para financiar o capital de giro”.
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