O Sindicato dos Sapateiros se reuniu ontem com um dos advogados da Calçados Samello, Reginaldo Stephanelli, e com o administrador judicial, Ernesto Volpe Filho, para contestar a posição apresentada no plano de recuperação da empresa, onde os bancos receberiam seus créditos antes dos trabalhadores. No encontro também foi discutida a disponibilização de imóveis para os ex-funcionários e o pagamento de multas trabalhistas, outra discussão que pode acabar nos tribunais.
Segundo o presidente do sindicato, Paulo Afonso Ribeiro, os representantes da Samello teriam dado a entender que queriam o “perdão” de multas em aberto, como os 40% sobre a rescisão e encargos sobre férias vencidas. “Nem quis ouvir. Já antecipei que nossa posição é contrária e a dos trabalhadores não será diferente”.
Afonso aguardará um posicionamento oficial do Ministério do Trabalho sobre a possibilidade de acionar a Samello que, desde novembro, quando teve aprovada sua recuperação judicial, está “blindada”, não podendo ser executada por débitos anteriores. “Se não quiserem pagar e houver essa ilegalidade, vamos acioná-los sim”, disse o sindicalista.
Em relação à prioridade dada aos bancos, Ribeiro disse que a empresa deu outra versão, diferente do que consta no plano de recuperação. Já quanto à cessão de imóveis não penhorados para a quitação dos débitos trabalhistas, a Samello teria pedido “um tempo” para o sindicato. “O Ernesto impôs à diretoria que não disponibilizassem bens para venda antes da aprovação da proposta de recuperação pelo juiz, pois poderia atrapalhar o andamento do processo”, disse. “Mas deixamos claro que essa conversa será retomada mais à frente”.
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