Seriados pela internet


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Conseguirá Jack Bauer sair dessa enrascada e impedir o ataque terrorista? Hiro Nakamura voltará a tempo de salvar a líder de torcida com poderes extraordinários? Quem são os "outros"? Tem gente não consegue dormir com perguntas como essas martelando nas suas cabeças. Não agüentam ter que esperar as redes de TV brasileiras comprar, traduzir e resolver passar as novas temporadas das mais eletrizantes séries norte-americanas. É fato que seriados assim viciam, em especial 24 horas, Heroes e Lost. Essas produções são campeãs de download na Internet. Os fãs agora querem assistir a tudo antes mesmo de a TV a cabo transmitir. A solução encontrada por eles é puxar os episódios pela rede mundial de computadores no mesmo dia em que são transmitidas em primeira mão nos Estados Unidos. A princípio ninguém sabia dizer se a prática dos fãs munidos de conexão banda larga poderia ser considerada pirataria ou violação de direitos autorais. Na verdade esta resposta ainda não existe, uma vez que não há legislação reguladora da Internet no Brasil. Recentemente, Elie Wahaba, gerente sênior na América Latina e Caribe da Fox, canal que produz e transmite no Brasil (meses antes da TV aberta) as séries 24 horas, The O.C. e Prision Break, declarou recentemente que não vê problema na prática de baixar episódios disponíveis na internet. Na opinião da emissora, que no Brasil é disponível apenas em TV por assinatura, só seria errado se as pessoas comercializassem o produto. Baixar ou distribuir para uso próprio sem fins lucrativos não seria, portanto, pirataria. Na verdade, os mais prejudicados nessa história seriam justamente quem vendia DVDs piratas para os que gostam de ver os episódios com antecedência. Stefania Granito, gerente de marketing do canal AXN, que transmite a série Lost no Brasil, declarou ao jornal paulistano Agora não acreditar que os downloads de episódios feitos por milhares de jovens no País prejudiquem a emissora. Segundo ela, isso ajuda na divulgação dos programas. Advaldo Oliveira de Souza, coordenador geral da NET-Franca, maior prestadora de serviços de TV por assinatura da cidade, também vê com bons olhos os sites como Is Free (www.isfree.tv), Life Corp (www.islifecorp.us), Free Movie (www.get-any-movie-free.com), que disponibilizam séries de TV. "Isso não prejudica nem um pouco a NET. Em primeiro lugar porque nossos pacotes de programação são bem maiores que apenas as séries. Em segundo lugar porque a partir de março, além de TV, trabalharemos como provedor de Internet banda larga em Franca. Ou seja, pode baixar à vontade, de preferên-cia se for usando o nosso serviço (risos)", explica Advaldo. COMUNIDADES O viciados em séries além de lotarem seus HDs com episódios, batem papo com outros fãs em comunidades do Orkut. A maior de todas as comunidades sobre a série The O.C tem mais de 203 mil membros, a maior de Lost tem mais de 212 mil participantes. Somadas, só essas duas comunidades virtuais têm mais membros do que os habitantes de Franca. Caso interessante também é o da série Heroes, fenômeno de audiência nos EUA que não teve um único episódio exibido nem nos canais fechados do Brasil. Ainda assim, a maior comunidade sobre as aventuras de Isaac Mendez, Claire Bennet, Mohinder Suresh e companhia já tem mais de 15 mil membros. Todos acompanham a trama pela internet. QUEM PAGA Mas se todo mundo começar a baixar pela internet, ninguém verá os comerciais. Então, quem vai pagar os custos de produção? Uma saída seria inserir merchandising nos próprios capítulos. Na série 24 horas por exemplo, o palm top de Jack Bauer é Motorola com serviços da operadora Nextel. Além disso os mocinhos só andam de Toyota. Nada disso é por acaso. Como também não é de graça que Hiro Nakamura, de Heroes, fica todo empolgado quando pilota uma Nissan Versa.

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