A caravana de 22 prefeitos de cidades integrantes do Comam (Consórcio dos Municípios da Alta Mogiana) a São Paulo, ontem, em busca de ajuda financeira à Santa Casa surtiu efeito imediato. Mas não em dinheiro, que deverá chegar somente em abril, conforme já havia anunciado o hospital.
Pelo avençado entre as partes, o Estado interviria imediatamente no gerenciamento dos serviços, criando uma central de vagas para internações no hospital, o que reduziria o volume de procedimentos de alta complexidade e, conseqüentemente, o déficit da instituição, mas complicaria a vida dos pacientes de Franca e região, que poderão ser enviados para outras cidades, como Barretos, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
Para que isso ocorra, porém, será necessário o aval do prefeito francano Sidnei Rocha (PSDB), já que a cidade detém a gestão plena regional dos serviços de saúde. O tucano não foi a São Paulo com seus colegas prefeitos e foi alvo de críticas (leia mais nesta página). Ontem, via e-mail, não se posicionou sobre a proposta do Estado. Disse somente que “no momento certo se reunirá com o secretário Luiz Roberto Barradas para tomar conhecimento do projeto do governo”.
Os prefeitos foram, inicialmente, ao Palácio dos Bandeirantes para tentar uma audiência com o governador José Serra (PSDB). Como ele estava viajando, foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Aloísio Nunes. De lá, foram à Secretaria Estadual de Saúde, onde foram recebidos pelo responsável pela pasta, Luiz Barradas.
A audiência durou cerca de uma hora e foi avaliada como positiva pelo presidente do Comam, João Batista Matheus Lima. “Nossa viagem teve um bom resultado: o Estado confirmou que as verbas começarão a chegar em abril e a Santa Casa se comprometeu a manter os atendimentos”, disse.
A caravana foi motivada pelos cortes de atendimentos promovidos na semana passada pelo hospital, que não realizou, por um dia, exames de raio-x e sessões de fisioterapia, prejudicando 810 pacientes. Onofre Trajano, provedor da Santa Casa, e Fernando Bueno, superintendente da fundação, que compareceram à audiência com Barradas, não foram encontrados para falar sobre o resultado da reunião.
A Secretaria da Saúde confirmou que quer descentralizar o sistema de alta complexidade para diminuir o fluxo de internações, procedimento que figura entre os mais caros prestados pela Santa Casa. “Ao invés de o paciente ser internado diretamente, haverá uma consulta à Secretaria, via central de vagas, onde ficará definido o local da internação, exceção feita somente a casos de urgência”, disse o assessor de imprensa Arthur Chioramital.
O envio de recursos em abril também foi mencionado pela Secretaria, mas os valores não foram citados. A Santa Casa deverá apresentar, na semana que vem, um balanço contábil para justificar o déficit mensal, que seria de R$ 840 mil. “É um valor absurdo, quase igual ao da Santa Casa de São Paulo. O Estado ajudará de acordo com as possibilidades”, completa Chioramital.
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