Samello: compras, só se for à vista


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PARADO - Imagem acima mostra situação atual da sede da Calçados Samello: sem atividades desde outubro, prédio dá impressão de abandono
PARADO - Imagem acima mostra situação atual da sede da Calçados Samello: sem atividades desde outubro, prédio dá impressão de abandono
A Calçados Samello, para voltar a produzir, terá de comprar insumos à vista. Pelo menos esse é o cenário apresentado por fornecedores de produtos para calçados, consultados ontem pela reportagem. Das 18 empresas consultadas, somente duas concederiam crédito para compras a prazo. Outra duas disseram que não venderiam nem mesmo à vista. As demais condicionaram a negociação a pagamentos antecipados. O motivo de tanto receio é a atual situação da empresa, que deve R$ 90 milhões, está com a produção parada desde outubro do ano passado e enfrenta um delicado processo de recuperação judicial. “Pelo respeito que temos com a Samello, até venderíamos, mas somente à vista”, disse Orlando Gomes Junior, do departamento de vendas da Impec, fábrica de palmilhas e solados. Posição semelhante tem o proprietário da RWL, fabricante de pré-fresados, Reinaldo José Mendes. “Do jeito que está, só teria condições de vender à vista. Já tenho outros problemas a resolver”, disse. Entre os que não estariam dispostos a negociar com a Samello está um fabricante de solados, que não quis ter seu nome divulgado. Para ele, qualquer tipo de negociação, atualmente, seria arriscada. “Não venderia nem à vista, porque se fizessem dois ou três pedidos grandes e pagassem, como eu poderia negar o seguinte a prazo? Não confio e prefiro evitar logo de início”, disse. Em contrapartida, há quem confie na Samello, apesar de toda a crise. O proprietário do Curtume Tropical, Wainer Machado, é um deles. Para ele, a empresa precisa de incentivo para poder voltar a produzir e gerar empregos. “Não negamos crédito à Samello nem mesmo quando estava em sua pior fase, que dirá agora que está amparada pela Justiça. Estamos dispostos a colaborar com esse recomeço que estão enfrentando, pois é importante para toda a cidade”, disse. AOS POUCOS Até mesmo a advogada da Samello, Simone de Barros, reconheceu que a reconquista dos fornecedores é ponto-chave para a retomada de produção, mas que se trata de um processo lento e gradual. “Não será simples. Será fundamental uma reaproximação, por meio de conversas individuais e bastante paciência, com esses fornecedores para se obter, novamente, credibilidade”. Para Simone, além do contato pessoal, um bom volume de dinheiro também será imprescindível para que a Samello volte a produzir. “Além dos imóveis vinculados aos bancos (avaliados em R$ 50 milhões), outros bens, avaliados em R$ 3 milhões, serão colocados à venda para se obter capital de giro. Estamos todos conscientes das dificuldades a serem enfrentadas”, disse.

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