O Sindicato dos Sapateiros não gostou da proposta apresentada pela Samello à Justiça. Para a entidade, com a opção em priorizar os pagamentos aos seis grandes credores com garantias reais, cinco bancos e uma pessoa física, a empresa se contradisse em relação ao que pregava quando parou as atividades, em outubro do ano passado.
Na ocasião, o presidente da Samello, Miguel Sábio de Mello Neto, disse que o pagamento dos débitos com os trabalhadores (em torno de 1,6 mil pessoas) seria prioridade no processo de recuperação. Mas, no plano de pagamento entregue à Justiça, não há sequer data para que isso aconteça.
Os sindicalistas querem, agora, um encontro com a direção da Samello para saber se há como negociar a situação. “O compromisso firmado pela diretoria sempre foi de priorizar os pagamentos aos funcionários. Nem digo as rescisões, mas pelo menos os salários atrasados. Queremos conversar com o Miguel, diretamente com ele, para saber como ficará isso”, disse o presidente do sindicato, Paulo Afonso Ribeiro.
Para Ribeiro, outro ponto importante a ser questionado é quanto a um acordo informal firmado entre o sindicato e o empresário que, até agora, não teria sido honrado. “Ofereceram alguns imóveis para pagar os débitos com os trabalhadores, mas até hoje não nos atenderam para oficializar isso. Queremos saber se está em pé e quais são os bens, se vamos poder mesmo vendê-los”, disse.
Segundo Ribeiro, aconteceria hoje uma reunião com a diretoria da Samello para discutir tais problemas, mas, como Miguel Mello não poderia participar, o encontro foi adiado. “Se o Miguel não participar, para nós, não tem jeito. Queremos discutir com ele à mesa. Tentaremos agendar novamente para quinta-feira”, disse.
Quem também não gostou da proposta da Samello foram os trabalhadores. Muitos ainda não conseguiram um novo emprego e passam por situações financeiras delicadas. É o caso do cortador AJA. Ele afirma ter R$ 5,5 mil para receber da empresa e que, agora, passará a nem contar com o dinheiro. “Não acredito em Papai Noel. Sei que os empregados serão os últimos. Estou parado, como eu fico? Estão fazendo um papelão conosco”, disse.
RETOMADA
A Samello pretende contratar pelo menos 100 pessoas para retomar a produção. A previsão da empresa é que isso aconteça entre maio e junho próximos. Para Ribeiro, mesmo com a complicada situação financeira e o recente histórico de atrasos em pagamentos de salários, a Samello não deverá encontrar problema para preencher as vagas. “Quem está desempregado não quer perder a chance de voltar ao mercado. Há muita gente sem trabalho”, disse.
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