O processo de recuperação judicial da Calçados Samello, iniciado em 23 de novembro do ano passado, terá seu próximo passo na segunda-feira. Neste dia, vencerá o prazo para que a empresa apresente à Justiça um plano viável de pagamento para seus milhares de credores. Segundo o jurídico da Samello, a proposta já está pronta e será entregue dentro do prazo. Alguns imóveis do grupo deverão ser entregues para os credores para quitar a dívida, que ultrapassaria os R$ 65 milhões. Desde 16 de outubro, a linha de produção está parada.
Segundo a advogada paulistana Simone Barros, contratada pela Samello para coordenar os trâmites jurídicos da tentativa de recuperação, os detalhes da proposta serão divulgados somente para o juiz. “A única coisa que posso adiantar é que nada muda em relação ao que já foi dito. A venda de imóveis do grupo será a alternativa apresentada à Justiça”.
Após a entrega do plano, a Samello terá de esperar a manifestação dos credores. O juiz terá um mês de prazo para convocá-los e, em assembléia, eles decidirão o futuro da empresa: segundo a nova Lei de Falências, se a oferta for aceita, o processo de recuperação judicial prossegue. Caso contrário, poderá ser decretada a falência da empresa.
FUNCIONÁRIOS
Nem mesmo os trabalhadores deverão receber propostas em dinheiro. Segundo Simone, os credores serão tratados em condições de igualdade no plano de pagamento. “Não haverá diferenciação. Os imóveis serão disponibilizados como forma de pagamento das dívidas”, disse. “A retomada da produção também está vinculada a isso”.
Somente para ex-funcionários e prestadores de serviço, a Samello tem uma dívida de aproximadamente R$ 8,6 milhões. Além dos 400 empregados dispensados em dezembro, estão incluídos, nesses dados, acordos trabalhistas não cumpridos e valores contestados judicialmente. Pelo menos 1,6 mil pessoas estão inseridas nessa modalidade de credores.
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