As cidades mineiras de Ibiraci, Capetinga, Cássia e Sacramento estão “roubando” empresas de calçados de Franca. Nos últimos anos, pelo menos, dez indústrias de grande porte como Ferracini, Mariner, Democrata, Free Way e Carmen Steffens, deixaram de ampliar seus negócios aqui para abrir uma filial ou unidades de serviços terceirizados nestas cidades.
Para lá, as empresas levam parte da produção (corte, costura, pesponto e acabamento) e, em troca, encontram vantagens como redução de impostos, mão-de-obra mais barata e outras “mordomias”. Somados, os empreendimentos levaram de Franca mais de 1500 vagas de trabalho e, pelo menos, 50 mil pares de calçados por dia que deixaram de ser produzidos na cidade.
Em Capetinga, os atrativos são tantos que até o transporte final do produto é de responsabilidade do poder público municipal. A prefeitura paga o transporte da produção feita na cidade até as fábricas em Franca. Na cidade de Ibiraci, Free Way e Ferracini empregam 310 pessoas e pensam em expandir a produção de mais de 37 mil pares mensais. Depois da agricultura, as empresas são as maiores empregadoras do município. “Não são só os subsídios da Prefeitura que atraem essas empresas. A mão-de-obra é barata e qualificada, os impostos são irrisórios e as estradas boas. Além disso, a cidade fica muito próxima de Franca”, explicou o prefeito de Ibiraci, Ismael Silva Cândido (PT). Na compra do barracão que abriga a Free Way, a Prefeitura investiu R$ 300 mil.
E a busca por mais fábricas parece estar longe do fim. Pelo menos em Cássia, a secretária de Desenvolvimento Econômico, Andréia Salermo Miguel Souza, disse que as portas da cidade estão abertas para novas empresas. Na lista de vantagens, a mão-de-obra barata tem grande destaque. Enquanto que, em Franca, um pespontador ganha em média R$ 700. Nas cidades vizinhas, esse salário não ultrapassa os R$ 500. Para completar, ganham o aluguel do barracão para se instalarem. “Cássia tem poucas ofertas de emprego, por isso, a Prefeitura trabalha para atrair empresas e oferece incentivos como a oferta do barracão e os serviços de manutenção”.
De acordo com a secretária de Controle Interno da Prefeitura de Capetinga, Nilsa do Carmo de Souza, a administração não cobra impostos e desembolsa mensalmente R$ 2.200 com aluguéis de barracões para as empresas. “Elas têm uma redução de custos violenta. Não pagam IPTU, ICMS e registram os funcionários com salário mínimo. Em relação a Franca, as empresas gastam muito menos”.
Para Cláudio Roberto Silva, proprietário da empresa Walk Line, uma das que mantêm parte da produção fora de Franca, o maior atrativo é a redução dos impostos. “Se fôssemos produzir tudo em Franca, teríamos de aumentar o espaço físico, o que geraria mais gastos com impostos. Para diminuir custos, resolvemos terceirizar a produção e sair em busca de preços mais competitivos e dos subsídios da prefeitura”.
Colaborou Alex Arcanjoleto
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