Para controlar a migração de empresas calçadistas para as cidades vizinhas, em especial as mineiras, não há muito o que ser feito. A Prefeitura de Franca, o SindiFranca (Sindicato da Indústria Calçadista de Franca) e o Sindicato dos Sapateiros se dizem de mãos atadas, sem forças para agir.
Sebastião Ananias, secretário de Planejamento e Gestão Econômica de Franca, afirma que é difícil entrar na esfera da decisão pessoal do empresário. “Não temos bases legais e nem dinheiro em caixa para segurar essas empresas na cidade. Em curto prazo, a situação é incontrolável”.
Ananias não acredita que a doação de barracões seja a principal vantagem. Para ele, é preciso verificar os salários, a fiscalização sindical e o cumprimento das leis trabalhistas. “O motivo das empresas estarem saindo de Franca são os baixos salários e a pouca fiscalização sindical em cidades menores. O empresário vai investir onde gastar menos e ganhar mais. Só o barracão não é motivo”.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, não há como impedir que as fábricas busquem vantagens em outras cidades. “Quando ela está com as contas em dia, salários, impostos, fornecedores, a empresa pode fazer o que ela quiser. Mas a maioria só concentra os prestadores de serviços na região. Não há como competir com a indústria francana”.
Para Jorge Félix Donadelli, presidente do SindiFranca, também não há muito o que ser feito. “Não temos amparo legal nesse sentido. A prática de terceirizações é comum, alguns países como a Itália terceirizam sua produção fora do País. É uma tendência natural, não tem como impedir e nem tem embasamento legal”.
Segundo Donadelli, o SindiFranca vê a situação sem ter uma posição. “O sindicato não é contra e nem a favor. São ações naturais de mercado. Uma decisão empresarial que não julgamos”.
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