Luciene Carrijo, psicóloga desde 2002, trabalha com crianças, adolescentes, adultos e idosos com depressão, ansiedade, síndromes e fobias no Grupo de Auto-Ajuda Apoiar, possui consultório particular e atua numa clínica de hemodiálise. A especialista atribui "a revolta" vivida pelos jovens a uma série de fatores e alerta os pais sobre a importância de impor limites.
Comércio da Franca -Por que crianças e jovens têm agido com tanta rebeldia?
Luciene Carrijo - Acredito que sejam vários fatores. Um deles é o ambiente familiar. Os pais não têm tempo para se dedicar aos filhos e por ter poucos momentos ao lado deles evitam as correções quando estão juntos. Por dó, não colocam limites, principalmente na infância. Há ainda a exposição excessiva à cenas de violência em desenhos, filmes e internet.
Comércio - Como saber que limite é esse?
Luciene - É difícil, mas os pais precisam aprender a dosar a liberdade. É encontrar um equilíbrio, colocar regras, afinal, estamos sob regras fora de casa também.
Comércio - Como os pais podem agir para evitar problemas?
Luciene - É necessário ter paciência, sentar para conversar. O diálogo é muito importante, mas os pais não têm tolerância para fazê-lo, não sabem ouvir o filho, integrá-lo na conversa. Falta dedicar mais tempo à família, aos momentos de lazer juntos. Os dois lados precisam disso. Matricular as crianças em atividades esportivas também é boa alternativa para extravasarem a energia de maneira saudável. Além da redução do tempo de exposição à tevê e jogos violentos de computador e videogame. A internet traz benefícios, mas se for em excesso se torna prejudicial.
Comércio - Essas são maneiras de prevenir. Como remediar quando o filho já está rebelde?
Luciene - O acompanhamento psicológico pode contribuir. O trabalho deve ser feito com as crianças, jovens e pais. Nos encontros individuais ou em grupo, eles podem relatar suas dificuldades, trocar experiências, receber apoio e sugestões para lidar com elas. São sugestões, não opiniões. A conversa em família também ajuda. O pai e a mãe precisam mostrar para o filho que o seu comportamento causa mal a ele mesmo.
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