Roberta (nome fictício). Apenas 12 anos. Namora (aos 10 anos ficou com um rapaz mais velho). Briga. Foge de casa. Não assiste às aulas (o boletim de 2006, da 5ª série, está com 54 faltas. "Saía para ir à escola, mas não gostava de nada lá.
Ficava no pátio vendo as aulas de outros alunos, conversando", disse à reportagem. Se acha uma garota revoltada? "Um pouco. Não vivi com meus pais, não fui acompanhada por minha mãe (abandonada pela mãe, foi entregue para o pai cuidar quando bebê. Morou com ele até os 9 anos, mas depois foi encaminhada para viver com familiares). Sinto uma solidão" Se acha adulta? Também. O comportamento de Roberta retrata a atitude dos mais de 900 menores rebeldes notificados pelo Conselho Tutelar em 2006.
Para a tia, a doméstica Ana, 25, (nome fictício) que cria a filha de seu irmão há cerca de três anos, é difícil lidar com tal "maturidade". "Não quero mais cuidar dela. Não agüento mais. Já xinguei, já bati, já coloquei de castigo, já chamei o Conselho Tutelar. Desisto da guarda dela."
Depois de conviver com mentiras, desobediência, brigas e fugas, Ana viveu um episódio na segunda-feira passada que foi a gota d`água para desistir da guarda da sobrinha. A doméstica saiu para trabalhar e deixou a pré-adolescente dormindo. Ao retornar, a garota havia fugido levando todas as suas roupas e calçados. "Acho que a gente (ela e a tia) não se dá bem", justificou a garota.
Desesperada, a tia procurou em hospitais, no Abrigo Provisório e pediu ajuda ao jornal para localizá-la. Depois de ler a reportagem, Roberta apareceu e disse que estava na casa de um casal colega do primo dela e continuaria lá. "Fiquei muito desesperada. Todo amor e carinho que sinto é uma palhaçada para ela. Ontem (quinta-feira), ela acabou voltando para mim, mas agora eu não quero mais. Desisti. Não sei se ela tem solução. Só se for com outra pessoa porque comigo não adianta; não vai melhorar", disse Ana.
O destino da menina é incerto. Não se sabe quem vai ficar com ela. A tia diz que a menina e o pai se odeiam. A mãe dela tem mais quatro filhos, mora em outra cidade e não se interessa pela filha. "Tenho minha vida, minha filha de seis anos para cuidar e preciso trabalhar. Já tive de sair mais cedo do serviço para ir atrás dela, vigiá-la. Cansei." Ontem, Ana esteve no Conselho Tutelar para pedir ajuda. Por enquanto, ela ficará na casa de outros parentes, que manifestaram interesse em ficar com a garota. Em entrevista ao jornal, Roberta disse que agora quer parar de namorar e estudar direito, pois mudou de escola. "Não namoro. Só `fico`. Agora vou parar", disse ao confirmar que se acha nova para manter relacionamentos do tipo.
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