‘A AEC tem cura’


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O empresário José Antonio Filho é carregado por amigos em comemoração à vitória que o tornou o novo presidente da Associação dos Empregados no Comércio depois de muita polêmica co
O empresário José Antonio Filho é carregado por amigos em comemoração à vitória que o tornou o novo presidente da Associação dos Empregados no Comércio depois de muita polêmica co
<p>Os mais de 83% dos votos obtidos pela chapa Amigos do Castelinho na eleição da AEC (Associação dos Empregados no Comércio) credenciaram o empresário do ramo de calçados e componentes José Antonio Filho, 51, a assumir a presidência do clube. Ao lado de sua diretoria, ele tem a missão de resgatar a credibilidade da instituição, que hoje deve mais de R$ 2,7 milhões.</p> <p><br />Pregando transparência e seriedade, José Antonio não perdeu tempo. Para reduzir ou até acabar com o déficit mensal da AEC, dispensou 43 dos 95 funcionários do clube. Além disso, fechou uma parceria com um bufê da cidade. A intenção é deixar de priorizar o setor de eventos e passar a focar a atenção da diretoria no lado social.</p> <p><br />José Antonio não economiza otimismo. "Vamos virar a mesa da AEC-Castelinho e fazer o clube voltar a ser um dos melhores da região". O novo presidente acredita que a expressiva votação conquistada só aumenta a responsabilidade da diretoria, promete aumentar o número de sócios e atenuar a grande dívida. "A AEC é um doente que tem cura". Confira os principais pontos da entrevista. </p> <p><strong>Comércio da Franca - De que tamanho é a dívida da AEC-Castelinho hoje?<br />José Antonio Filho</strong> - A dívida do clube hoje é de cerca de R$ 2,7 milhões, entre INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), fornecedores e outros. O clube tem um déficit de no mínimo R$ 45 mil por mês, e é por isso que tivemos de tomar algumas medidas já. Vamos renegociar os débitos e arcar com os compromissos da renegociação. </p> <p><strong>Comércio - Quais foram as medidas já tomadas pela diretoria?<br />José Antonio</strong> - Dispensamos 43 dos 95 funcionários. Alguns já foram contratados pelo parceiro do clube. Outros ainda estão de férias porque não havia verba para pagar todas as rescisões.<br />Além disso, fizemos uma parceria com uma empresa da cidade para terceirizar a parte de comida e de bebida. Essa empresa já contratou uma boa parte dos funcionários que nós dispensamos. Fizemos uma parceira com a Spazzio, uma firma idônea. A parte de comida está toda na mão da Spazzio. O clube reservou algumas datas principais, Réveillon, aniversário do clube, para fazer festas voltadas para o associado. O resto é com a empresa. </p> <p><strong>Comércio - Como vai funcionar a parceria?<br />José Antonio</strong> - De tudo que a Spazzio promover, a AEC terá um valor por pessoa. Na parte de restaurante da sede social, teremos 10% do bruto. Os bares serão do clube apenas nos shows. O clube vai ter um valor por pessoa, quando houver serviço de bufê. Serão R$ 5 por cabeça com um montante mínimo de R$ 5 mil. Por exemplo, se forem 500 pessoas dentro do salão, nós ganharemos R$ 5 mil, o que hoje é o valor do aluguel do salão, mesmo que multiplicando R$ 5 por 500 dê apenas R$ 2,5 mil. Se for 5 mil pessoas dentro do salão, aí o clube sai ganhando e vai faturar R$ 25 mil. As despesas com energia, limpeza, água, vão correr todas por conta do parceiro. </p> <p><strong>Comércio - Quanto tempo deve durar essa parceria?<br />José Antonio</strong> - O contrato terá validade de um ano e depois disso será reavaliado. Eles se dispuseram a trabalhar com os mesmos preços do clube e têm um capital de giro que a gente não tem. Assumiram um compromisso de levar no mínimo 30 mil pessoas ao bufê em um ano, o que nos garante uma renda de R$ 150 mil. </p> <p><strong>Comércio - A dispensa de funcionários foi uma decisão tomada com que intenção?<br />José Antonio</strong> - Cortar gastos. No segundo mês, nós já vamos trabalhar no azul. A máquina administrativa da AEC era muito grande, não tinha liderança. Alguns funcionários chegaram a reclamar que não havia quem coordenasse o trabalho, que os funcionários muitas vezes não sabiam o que fazer. Contratamos um diretor administrativo para organizar as coisas. Não tínhamos nem como pagar os funcionários, então tomamos medidas pelo bem do clube, dos funcionários e dos sócios. </p> <p><strong>Comércio - O corte de gastos será aliado à injeção de recursos por meio da parceria?                                                                                                           José Antonio</strong> - A primeira coisa que o parceiro fez foi adiantar uma verba de R$ 100 mil para que pudéssemos custear as rescisões dos contratos dos empregados. Estamos pagando férias atrasadas, tinha funcionário com três férias vencidas. Contratamos um gerente administrativo profissional para tratar as contas do clube com seriedade. Depois de estabilizar as contas, vamos pensar em realizações. Por exemplo, a academia, que é um sonho dos sócios e tem um esqueleto já pronto. Falta o acabamento e nós vamos lutar muito para terminar a academia. </p> <p><strong>Comércio - O que fará esse gerente contratado?<br />José Antonio</strong> - Tudo que precisar de intervenção quando os diretores da associação não estiverem presentes será resolvido pelo gerente administrativo. É claro que depois de me consultar e de consultar outros membros da diretoria. Mas esse gerente administrativo é o meu representante no clube na minha ausência. Todo dia vou despachar na AEC, no Castelinho, e ele vai me informar do andamento cotidiano do clube. A AEC é um doente que tem cura. E o remédio foi esse daí. Corte de gastos, uma parceria e pulso firme na hora de administrar. </p> <p><strong>Comércio - E como ficam os credores agora?<br />José Antonio</strong> - Vamos fazer uma assembléia para tomar medidas para começar o pagamento da dívida em alguns meses. Não vamos deixar ninguém em segundo plano. Devemos uma satisfação para os associados e para a sociedade. </p> <p><strong>Comércio - O que fazer para aumentar o número de sócios?<br />José Antonio</strong> - O clube hoje tem 2 mil sócios, mas apenas cerca de 1,5 mil estão com suas mensalidades em dia. Vamos lançar um plano de vendas de títulos. O título do Castelinho está muito defasado. Hoje ele é vendido por R$ 720, enquanto tem concorrente aqui vendendo por R$ 1,5 mil. O clube é avaliado em R$ 30 milhões. Isso quer dizer que, se o clube fosse vendido hoje, cada sócio teria R$ 15 mil. Temos um plano para resgatar o sócio que deixou de pagar a mensalidade e vamos contratar uma pessoa do esporte, o jogador Helinho, para fazer uma campanha de títulos. Ele deve convidar também o pai para ajudar (Hélio Rubens Garcia, técnico do Franca Basquetebol).<br /></p> <p><strong>Comércio - Haverá custos para os associados?<br />José Antonio</strong> - Quem já era sócio, independente do tamanho da dívida, pagará R$ 720 divididos em 18 vezes. Com a mensalidade, esse associado vai pagar R$ 100 por mês. Se a pessoa deve menos de R$ 720, poderá pagar a sua dívida também de maneira parcelada. Nestes casos, basta procurar a diretoria e cada caso será tratado individualmente. Quem quer comprar um título novo pagará entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Esse valor também deve ser parcelado, mas ainda não foi definido. </p> <p><strong>Comércio - Os 83% dos votos conseguidos na eleição trouxeram uma expectativa a mais para a atuação da nova diretoria?<br />José Antonio</strong> - A responsabilidade é grande e eu, como líder dessa diretoria, tenho a função de cobrar responsabilidade. Como a gente teve uma margem expressiva de votos e a sociedade de uma maneira geral tem mostrado interesse no nosso trabalho, isso traz responsabilidade. Não vou abrir mão de que a nossa administração aconteça com transparência, seriedade. Junto com os outros diretores, vamos virar a mesa da AEC-Castelinho e fazer o clube um dos melhores da região. </p> <p><strong>Comércio - Como ficarão as suspeitas de irregularidades de administrações anteriores?<br />José Antonio</strong> - Teremos um novo advogado que ficará encarregado de tratar de qualquer irregularidade. Vamos tocar o barco e o que for diagnosticado será apurado pelos órgãos competentes. O que for comprovado por documentação será enviado para apuração de quem tem a atribuição para isso. Eu tenho certeza que é essa a postura que o sócio espera.</p>

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