Cada participação na celebração eucarística é motivo de alegria pela riqueza que nossa vida recebe: Deus fala conosco. O modo usado por Deus é simples: os fatos descritos na Bíblia iluminam nossa vida.
A primeira leitura narra a vocação de Isaías, que aconteceu 739 anos antes de Cristo. Isaías se sentiu chamado durante uma liturgia no Templo, na qual se celebrava a realeza de Deus sobre o universo, cantando o salmo 99. Foi uma celebração histórica porque dela nasceu a vocação do maior profeta do Antigo Testamento; uma liturgia capaz de despertar a consciência de que só a Deus cabe a realeza. Só Ele é absoluto.
Isaías sente a plenitude de Deus. A realeza de Javé é maior que a imensidão do infinito. O céu é o lugar onde ele senta, e o Templo é o lugar onde ele apóia os seus pés. Isaías sente que a terra está cheia da glória do seu povo.
Mas a experiência fundamental do profeta durante essa celebração é a da “santidade” de Deus. Os serafins proclamam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor todo-poderoso”. A santidade de Deus consiste na salvação contínua do seu povo. Então a terra se enche da glória celeste!
Isaías tem a sensação de estar perdido. “Ai de mim...”. Deus não esconde a sua santidade e por isso faz o profeta perceber que a sua missão é ser “mensageiro” daquilo que experimentou. Deus torna seus lábios puros, perdoando seus pecados: ele é profeta de Deus no meio do seu povo amado.
O profeta percebe seu chamado dentro de uma celebração. Cada missa que participamos deve despertar em nosso coração a vontade de ser anunciador de Deus no mundo a partir da nossa família. Durante e após uma celebração da palavra ou da eucaristia o fogo do amor de Deus deve abrasar nossas atitudes para que transbordem este amor.
O evangelho vai nos recordar o que é necessário para ser missionário. A missão dos discípulos prolonga as ações de Jesus. Para ser discípulo é preciso dar atenção à palavra do Mestre e deixar tudo. Jesus encontra-se com seus discípulos cansados pela pesca sem resultados. Jesus se encontra diante de pessoas famintas da palavra libertadora, pessoas que lutam para sobreviver.
A partir de Simão (Pedro) eles passam a confiar no Mestre e o resultado da confiança na palavra de Jesus reverte a situação superando as expectativas. A pesca se torna uma sinal precursor da grande vitória do Cristo sobre a morte.
Mas o que devemos anunciar ao mundo de hoje? São Paulo na 1ª Carta aos Coríntios, capítulo 15, vai responder. A catequese fundamental dos primeiros cristãos fala da ressurreição de Cristo. O conteúdo desta catequese é: Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e apareceu a Cefas e aos doze.
Isaías fez a experiência da realeza divina e se sentiu “atraído” para Deus. Jesus nos revelou o Pai. E nós? Pela ressurreição de Cristo somos convidados a experimentar os efeitos da salvação do Pai em nossa vida!
PE.JOSÉ GERALDO SEGANTIN é Pároco da Catedral de Franca
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