Ao estender uma faixa pelo fim da imunidade parlamentar como se fosse um manifestante comum, o deputado Paulo Rubem (PT-PE) esforçava-se por chamar a atenção para o futuro da Câmara pouco antes do início da cerimônia de posse dos novos deputados. ‘É uma forma de chamar a atenção da sociedade para uma questão que o País precisa resolver’, disse.
Tarefa difícil. Diante da eleição para a presidência e da euforia dos novatos, o clima nesta quinta-feira no Salão Verde era de festa.
Com direito a celebridades eleitas - ou em trânsito. Clodovil Hernandes (PTC-SP) ganhou tantos flashes e perseguição dos repórteres como o candidato derrotado à reeleição Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Mas promoveu um burburinho bem maior (risos, sorrisos, comentários maldosos) entre os convidados à cerimônia - assessores parlamentares, mulheres arrumadíssimas, crianças e adolescentes curiosos em seus ternos e gravatas.
No salão, um grupo de lobistas de funcionários das agências reguladoras, com camisetas temáticas em belas mulheres, admitia: ‘É difícil disputar atenção com o Clodovil’. Enquanto isso, no plenário, quando mais nenhum deputado era encontrado no Salão Verde para dar declarações, dezenas de parentes e assessores ainda disputavam o cadeirão da presidência para um registro fotográfico da ‘festa da democracia’.
Dezenas de deputados tentaram levar seus parentes ao plenário, durante a posse, sem sucesso. O neto do deputado Moreira Mendes (PPS-RO), Enzo, destacava-se, do alto de seus 10 meses, embrulhado e engatinhando num mini-terno. Seu avô (o outro é o governador Ivo Cassol) garante que, “eleito com o compromisso de defesa da ética, da moralização”, lutará pelo voto aberto e pela modificação da imunidade parlamentar.
Relator no caso da primeira votação que decidiu pelo voto aberto, José Eduardo Cardozo (PT-SP) ressaltou -pouco antes do deputado cassado Roberto Jefferson andar pelo Salão e atrair bem mais atenção da mídia - a necessidade de pressão popular por mudanças. ‘Se a opinião pública não pegar essa questão do voto aberto, não anda’, disse. No caso da imunidade, para ele o ponto é o foro privilegiado”.
A constatação de dificuldades na aprovação de temas da reforma política que democratizem os mandatos contrasta com as opiniões declaradas, de deputados de diversos matizes partidários, a favor das mudanças. ‘Tudo que é privilégio tem de ser tirado’, afirmou, entre vários convidados, Ricardo Izar (PTB), um dos parlamentares paulistas mais antigos, que se destacou como presidente da Comissão de Ética durante o que chama de ‘a pior legislatura da história’.
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