A procura por passagens concentra o maior atendimento prestado pelo Abrigo Provisório "Antônio de Carvalho". O serviço é custeado pela Prefeitura de Franca, uma das que mantêm convênio com empresas de ônibus e paga para migrantes irem para outros municípios. Em média, são compradas 1,5 mil bilhetes por ano.
Em 2006, foram distribuídas 1686 passagens, um investimento de mais de R$ 20 mil. Em dezembro, quando foram fornecidos 128 tickets, os principais destinos foram Ribeirão Preto, São Sebastião do Paraíso e as cidades mineiras Araxá, Uberaba, São Tomaz de Aquino e Sacramento.
"São pessoas de todos os cantos do País. Elas andam de cidade em cidade em busca de emprego e, se não conseguem, precisam recorrer à Prefeitura", diz Adair Carvalho, administrador do Abrigo.
Muitos, quando não conseguem os bilhetes, tentam ir a pé. "É comum recebermos usuários com os pés todos arrebentados, cheios de calo, de tanto andar pelas estradas. Como estão desempregados, não possuem dinheiro."
Segundo Carvalho, a maioria dos que solicitam passagem são homens, especialmente lavradores e serviços gerais. O pedreiro Neilton da Cruz, 39, que é natural de Pirapora (MG), passou por Franca, trabalhou na construção de um barracão por 19 dias e se prepara para mudar para outra cidade. O Abrigo pagará a viagem. Ele só não sabe a data de partida e destino. Está em dúvida entre Araxá e Patos de Minas.
Neilton ainda não acertou o pagamento com o patrão, mas acredita ter conseguido R$ 500 com o serviço na construção. Parte do salário usará para pagar a pensão onde ficou por uma semana. O restante vira "reserva", pois pode se deparar com alguma Prefeitura que não paga passagens. "Uso esse dinheiro para viajar só se precisar. Tenho de guardar para a comida também." Em Pirapora, seus pais e um filho o aguardam, mas ele não sabe quando estará lá.
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