Sem Samello, Pé-de-Ferro e com crises na Sândalo, a produção de calçados francanos em 2006 encolheu. A constatação é do SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), segundo o qual 3,250 milhões de pares deixaram de ser produzidos no ano passado. Mais de 20% só com o encerramento ou cortes nestas três empresas.
Para o presidente do SindiFranca, Jorge Félix Donadelli, os grandes vilões para o resultado negativo da cidade foram o fechamento das empresas, a concorrência de produtos chineses no mercado interno e as taxas cambiais ainda desfavoráveis. “O ano que passou foi muito ruim para o setor calçadista brasileiro. Franca também sofreu, cortamos mais de 11% da produção em doze meses. É muita coisa”, disse.
Sem conseguir alavancar as vendas no mercado interno e com dificuldades para competir no exterior, fábricas tradicionais na cidade se viram obrigadas a reduzir a produção ou mesmo fechar as portas. O caso mais sério vivido no ano passado foi o da Calçados Samello, que depois de um início de ano difícil, em outubro encerrou a produção. Com ela, lá se foram mais de 4 mil pares produzidos por dia.
Caminho parecido seguiu a Sândalo, que ao longo de 2006 diminuiu o ritmo de produção. No último dia 19 de janeiro, anunciou o fechamento da fábrica na cidade, dispensando os 260 funcionários. A Sândalo vinha mantendo uma produção de 3,5 mil pares/dia. Em 2006, reduziu o volume de produção. No ano passado, em dezembro, mês de maior movimento, não fabricou mais de 2,5 mil.
Antes, a Pé-de-Ferro, que vinha mantendo uma produção de 200 pares/dia, também já tinha fechado suas portas.
A Calçados Kissol, que atualmente fabrica 3 mil pares por dia, foi outra que se viu obrigada a cortar. No ano passado, reduziu sua produção em 30%. “Nossos pedidos caíram. Não conseguíamos vender. Então, a melhor solução foi mesmo deixar de produzir até que encontremos uma forma de conquistar mais clientes”, disse Renato Maurício Paula, sócio-diretor da empresa.
Para ele, o caminho para reverter o jogo será investir em linhas mais elaboradas, agregando valor ao produto. “Assim, teremos um produto que não competirá com o chinês, bem mais simples. E mesmo vendendo menos, o valor cobrado compensará. É em busca do desenvolvimento desse produto que estamos trabalhando”.
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