A queda na produção de pares de calçados não atingiu somente as indústrias calçadistas de Franca. Na região do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, 2006 também fechou com reduções em comparação aos anos anteriores. A região é o principal pólo de calçados femininos do País e já foi responsável por mais de 80% da exportação brasileira.
Segundo Júlio César Camerini, vice-presidente da Associação do Comércio Indústria e Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, a redução está vinculada principalmente ao fechamento de empresas e, em seguida, à queda na exportação.
Foram 81 milhões de pares exportados no ano passado, contra 98 milhões em 2005. “Perdemos cerca de 65 empresas porque não houve como competir. O dólar está desvalorizado frente ao real. Há muitos encargos, tributos, precisávamos do dólar na faixa dos R$ 2,70”, revelou Camerini. Em Franca, não há levantamento do número de empresas calçadistas fechadas em 2006.
De acordo com ele, a produção também caiu pois muitas empresas migraram em busca de mais vantagens. “Há quedas na produção porque ela está vinculada à questão de custo e de competitividade. Devemos atacar e tentar aliviar os encargos”.
Para o presidente da Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçados), Elcio Jacometti, a indústria não tem como aumentar a produtividade e competitividade com o câmbio atual. “É preciso uma formatação de políticas setoriais para enfrentar a questão do câmbio”. Jacometti também acha que o dólar a R$ 2,60 seria o ideal. “Se continuarmos nesse processo, corremos o risco de perder a vocação de país produtor de calçados. Não podemos perder a nossa qualidade, a credibilidade.
Temos que aproveitar isso a nosso favor”, completou Júlio Camerini.
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