Dois dias depois de ter atacado a Polícia Militar, o Ministério Público, a imprensa e até a FPF (Federação Paulista de Futebol), o prefeito Sidnei Rocha voltou atrás e admitiu a existência de problemas no estádio do Lanchão. Ele se referiu à interdição do local com palavras como “frescura”, “gozação” e “bobagem” no domingo. Ontem, em uma entrevista concedidaa ao repórter Marcos Silva, da rádio Difusora, o prefeito afirmou que a Francana jogará no Lanchão no dia 11 de fevereiro contra a Santacruzense pela quarta rodada do Paulista da A-3. E mudou o discurso sobre sobre a situação do estádio.
Oficialmente, o local está interditado por falta de segurança e para reverter a situação será preciso que a Polícia Militar considere a praça esportiva apta a receber público. Um laudo deve ser enviado ao promotor Carlos Henrique Gasparotto após uma vistoria. Só aí a Justiça pode reverter a liminar concedida que ocasionou a interdição do local.
Sidnei Rocha teve uma reunião com dois integrantes da PM, Antônio Carlos e João Paulo Brandão, ontem de manhã, no Gabinete Municipal. Tomou ciência da série de exigências feita pela polícia, como concretagem do anel superior do estádio, solução para os fios expostos, término dos banheiros para visitantes, fechamento de buracos existentes nos alambrados, entre outros, para liberar o estádio. Qualificou o encontro como de alto nível e negou problemas de relacionamento com a Corporação. “... Não há aquela preocupação. De retaliação da PM. Não há isso. Há o zelo que todos têm de ter e nós precisamos de fato. Há alguns problemas no estádio que se arrastam há anos e vamos resolver”.
O prefeito admitiu “desencontros” que resultaram na interdição e cobrou da Feac (Fundação para o Esporte, Artes e Cultura) a resolução dos problemas apontados. “...Quem pediu a vistoria no estádio foi a secretaria de planejamento urbano da Prefeitura. Ela não tem nada a ver com isso. É a Feac que administra as praças esportivas”.
Mesmo assim, não perdeu a pose. Deixou claro que não trocará o alambrado e só fará as obras possíveis, que mandou fotografar estádios como o do Comercial e do Sertãozinho para ver se eles têm os mesmos problemas do Lanchão e ainda assim foram liberados para jogos dos respectivos Estaduais.
Domingo, antes da estréia da Francana, na cabine da Difusora no Lanchão, Sidnei Rocha qualificou como “frescura” e “gozação” cobranças como a construção de banheiros para visitantes e a troca do alambrado. E foi mais longe: “...não adianta ficar atrás de uma escrivaninha, sentado em uma mesa, ditando regras porque nas outras cidades não é assim e aqui não vai ser. Esse negócio de interditar o estádio há dois dias do jogo não pode acontecer”, em referência às autoridades envolvidas na questão.
Por fim, deu um puxão de orelha nos seus funcionários: “...Vamos agora exigir da Feac que ela faça (as obras) e que não fique na Prefeitura diversas áreas discutindo aquilo que não precisa ser discutido”. A reportagem tentou falar com Reginaldo Emídio, responsável pela Feac, para saber de um eventual cronograma. A atendente disse que repassaria o recado oportunamente. Várias ligações foram feitas então para seu celular. Apesar dos insistentes chamados, nenhum foi atendido.
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