Invasão dos bichos


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Na Rua José do Patrocínio, moradores sofrem com milhares de taturanas que insistem em entrar nas casas. Elas caem de árvores “Sete Copas” e transitam tranqüilamente pela rua
Na Rua José do Patrocínio, moradores sofrem com milhares de taturanas que insistem em entrar nas casas. Elas caem de árvores “Sete Copas” e transitam tranqüilamente pela rua
Pernilongos, baratas, escorpiões, ratos, aranhas, taturanas. Além dos inúmeros prejuízos causados em córregos, residências, pontes e estradas de Franca e região, as chuvas têm trazido outro grande inconveniente para a população: os bichos. Animais de todas as espécies estão invadindo casas e tornando a vida dos francanos um verdadeiro tormento. Em virtude dos matagais e bueiros entupidos, os bairros periféricos são os mais atingidos pelos inusitados visitantes. Nos Jardins São Francisco e Panorama, na zona leste da cidade, os moradores sofrem com os pernilongos que infestam as casas. A sapateira Elisângela Alves Diniz afirma que a situação se agrava durante a noite. “Os insetos atacam principalmente as crianças. Jogo veneno e ligo dois aparelhos repelentes e, às vezes, nem isso adianta”. A dona de casa Vânia Maria Moura Borges tentou espantar os pernilongos de maneira nada convencional. “Como o inseticida e os aparelhos repelentes não estavam fazendo efeito, queimei um pano para espantá-los, mas nem isso resolveu”. Ela afirmou que os insetos são atraídos por uma lagoa de tratamento de esgoto localizada no fundo do bairro. “Além disso, existem muitos matagais por aqui, o que atrai cobras, escorpiões e outros animais”. Segundo o biólogo Tadeu Artur de Mello Júnior, essa invasão de insetos ocorre por dois fatores. “Esta é a época natural de acasalamento destes insetos, sendo que a associação entre calor e umidade formam o cenário perfeito para o surgimento de uma superpopulação dos animais”, ressalta. “O período chuvoso - de novembro a março - é a melhor época para os pernilongos se reproduzirem”, completa Tadeu. [FOTO2] Na Vila São Sebastião, o problema são baratas e escorpiões. O sapateiro Paulo Henrique Caetano Mesquita “guarda” em sua casa um escorpião, que foi encontrado pelo seu enteado no banheiro da residência. “Ele foi tomar banho e acabou encontrando o escorpião sobre uma toalha. Tive sorte de nenhuma das crianças da casa ter usado a toalha ou tocado o animal, o que poderia ter graves conseqüências”. TATURANAS Os moradores da Rua José do Patrocínio, no Jardim Boa Esperança, estão sofrendo com a presença de milhares de taturanas. Elas já devoraram a folhagem de três árvores “Sete Copas” e chegam até as residências atravessando a rua ou pelos fios de eletricidade que ficam próximos à vegetação. Os bichos chegam a ficar espalhados por toda a via. A dona de casa Lázara Alves da Costa varre a porta de sua casa várias vezes por dia para evitar que seus netos tenham contato com as taturanas e sofram queimaduras. “As crianças não conhecem o perigo que esses animais trazem e podem acabar se machucando”. Lázara afirmou que procurou a Prefeitura para solucionar o problema, mas reclamou das exigências feitas para que providências fossem tomadas. “Meu sogro foi até lá, mas pediram que ele levasse fotos das árvores e dos animais, além de apresentar cópia do CPF e carteira de identidade. A obrigação deles é solucionar o problema e não complicar mais ainda”. O biólogo Tadeu de Mello afirmou que o calor registrado no final da primavera fez com que surgissem agora milhares de taturanas. “Quando faz muito calor em outubro, época de reprodução das borboletas, essa invasão de larvas é natural”, disse. Durante a tarde de ontem, a reportagem telefonou quatro vezes para a Divisão de Vigilância Ambiental da Prefeitura, mas ninguém atendeu. Alexandre Ferreira, titular da pasta da Saúde, a qual a Divisão é subordinada, também não foi encontrado em sua residência nem em seu celular.

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