Dona Luzia acorda cedo e já começa a cuidar da casa. Prepara o café, lava a louça, varre a casa e lava as roupas da família. Depois, cuida do almoço, lava novamente a louça e cuida dos afazeres domésticos. Quando há tempo, caminha pelas ruas de Franca.
A dona de casa foi incluída entre as pessoas ativas fisicamente por um estudo da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. O levantamento indica que a região de Franca é a segunda do Estado onde mais se pratica atividade física. 78,3% dos francanos têm ao menos dez minutos de atividades físicas ao dia, cinco dias por semana. Só Marília, com 82,5%, tem índice maior. Araraquara é a pior, com 61,1%, enquanto a média estadual é de 75%.
“Passo o dia trabalhando e, para mim, isso tem que ser considerado atividade física sim”, diz Luiza. Ela afirma ainda que nem se preocupa muito em caminhar diariamente para se exercitar. “Quando dá tempo até caminho, mas me exercito mesmo é no dia-a-dia”.
Isso não significa que esse é o percentual dos que praticam esportes, ou mesmo que a atividade física é motivada pelo cuidado com a saúde. Como critério, qualquer afazer doméstico (varrer, limpar, lavar, passar, subir escada, etc) pode ser considerado atividade física. Já os exercícios físicos, como a prática regular de esportes (cinco vezes na semana), é praticada por apenas 18,8% da população francana. No Estado, o índice é de 13,4%.
Foram entrevistados 120 moradores de Franca, Batatais e Patrocínio Paulista. Em todo o Estado, foram ouvidas 2.582 pessoas. A pesquisa revelou ainda que o número de pessoas que se exercitam cresce a cada ano. Em 2002, um estudo revelou que 54% da população de São Paulo praticava exercício. Hoje, são 75%.
ESPECIALISTAS
Para o professor de educação física Marcelo Verzola, as atividades domésticas podem, sim, serem tidas como atividades físicas. “Os afazeres domésticos são obrigações, mas são também atividades físicas e não podem ser ignorados como tal”.
Para o ortopedista André Pedrinelli, diretor da Sociedade Paulista de Medicina do Esporte, qualquer atividade, mesmo durante o trabalho doméstico, é muito positiva.
“É claro que dez minutos são insuficientes para melhorar o condicionamento físico mas, para quem não fazia nada, é um grande ganho, que promove melhorias de saúde”
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