Temidos, ciganos invadem bairro de Franca


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Líder do grupo, Almir Soares posa para a foto com os filhos Daiana e Devair em frente à barraca onde pretendem ficar acampados por  15 dias: ciganos raramente ficam mais de 20 dias na mesma cidade
Líder do grupo, Almir Soares posa para a foto com os filhos Daiana e Devair em frente à barraca onde pretendem ficar acampados por 15 dias: ciganos raramente ficam mais de 20 dias na mesma cidade
Desde a semana passada, os moradores do Parque das Árvores convivem com novos vizinhos: os ciganos. Seis famílias de Pouso Alegre (MG) montaram acampamento na Rua Alameda dos Pinheiros, em um terreno coberto de mato. Não foi possível apurar, até o final da tarde de ontem, se a área é pública ou privada. A chegada dos ciganos trouxe preocupação aos moradores do bairro. “Não sabemos como são e nem como vão se comportar. Ficamos com medo”, disse um morador, que preferiu não se identificar com medo de represálias. As seis barracas simples, de lona e com apenas um ‘cômodo’, estão montadas a 500 metros da primeira casa da rua. Elas abrigam 25 pessoas - seis casais e treze crianças. O pequeno espaço é dividido com panelas, cobertores, colchões e fogão de lenha. “Isso basta para vivermos bem. Não sei porque as pessoas têm esse preconceito contra o nosso povo”, disse o líder dos ciganos, Almir Soares, 30. Paulo César Borges, promotor de Cidadania, disse que os ciganos têm o direito de viverem de acordo com seus costumes. Há, porém, limites de convivência que devem ser respeitados. “Eles não podem perturbar o sossego das pessoas, mas, se não violarem as leis, nada pode ser feito”. Apesar de ter moradia fixa em Pouso Alegre, o grupo passa pelo menos nove meses do ano percorrendo o País. Antes de Franca, a parada foi Casa Branca (MG) onde ficaram por quinze dias. “Ficamos o tempo necessário de fazer os negócios”, disse Soares.Os negócios são vendas de carros e produtos que compram nas cidades que percorrem. Enquanto os homens fazem trocas, as mulheres saem pelas ruas da cidade na tentativa de conseguir clientes com a quiromancia, a arte de ler o futuro através das linhas das mãos. A prática, contudo, é alvo de reclamações. “Elas (as ciganas) querem forçar a gente a ler a sorte. Na sexta-feira, quando eu passava pelo Calçadão, elas agarraram a alça da minha bolsa e queriam me obrigar a ler a mão”, disse Maria de Fátima, da Vila Santa Terezinha. Soares defende seu povo e diz que elas só lêem a mão quando as pessoas autorizam. Ele falou ainda que não é estipulado um valor fixo para o serviço.”As pessoas dão o que podem”. Sérgio Buranelli, chefe do setor de Segurança e Trânsito do Município, explicou que, nos casos em que as pessoas se sentirem perturbadas, é preciso acionar a Polícia Militar ou a Guarda Civil. “Agora, se elas não estiverem perturbando, não podemos fazer nada. Todos têm liberdade de ir e vir”, disse.

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