Jerônima sempre teve uma vida simples


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A sapateira e doméstica Márcia Jerônima Campos, 36, é uma mulher simples e assim leva a vida junto com os três filhos, Pedro Henrique, 9, Gabriel e Daniel, 7. Órfã de pai e mãe desde os oito anos, foi criada por uma tia em Guará juntamente com as duas irmãs e um irmão. Cursou apenas a primeira série do ensino fundamental. Disse que não quis freqüentar a escola porque precisava trabalhar. Ela saiu de casa pela primeira vez aos 24 anos, quando se mudou para São Paulo para trabalhar como doméstica em uma casa de família. Dois anos depois já estava de volta para cuidar da tia, que adoeceu. Logo ficou grávida de um namorado. Do relacionamento nasceu Pedro Henrique. “Não sei onde o pai dele está”, comenta, sem querer se prolongar no assunto. Com o filho ainda pequeno e grávida de gêmeos, frutos de outro namoro, se mudou para Franca, onde já moravam as irmãs. Com o irmão, perdeu o contato. Desde então, Márcia cria os filhos sozinha. Não recebe ajuda financeira dos pais das crianças. “Crio eles sozinha, mesmo com dificuldade”, comenta. Márcia mora há sete anos na Vila Santa Cruz. Paga R$ 120 de aluguel, mas em breve terá que se mudar. Os proprietários do imóvel pediram para que ela saia. “Eles querem vender. Já comecei a procurar outra”, disse. Para sustentar os filhos, trabalha como faxineira em uma empresa perto de casa e ganha R$ 280 por mês. Também recebe R$ 95 do Bolsa-Família, programa do Governo Federal. “Com os R$ 95 compro comida e às vezes roupa e sapato para os meninos”. A sapateira não é muito de se queixar das dificuldades, mas achou que com a fama repentina receberia ajuda financeira. “O que eu mais queria era ganhar um armário de cozinha. O meu está muito velho. Mas a fama só serviu para chamar a atenção das autoridades de Franca para cercar o poço. Felizmente isso aconteceu e evita de outras crianças caírem lá”, diz ela. Uma mulher de fala tranqüila, ela aparenta nunca se estressar, mesmo com as dificuldades. Já os meninos são bem agitados e não param um minuto. “Eles dão trabalho como toda criança normal”, brinca a mãe.

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