Aos dois anos de idade, ela foi entregue pela mãe biológica a uma família adotiva. Teria sido maltratada no novo lar. Há um mês, com 12 anos, voltou a viver com a mãe em uma casa de apenas dois cômodos, sem o mínimo conforto, na zona rural de Franca. Na terça-feira, 23, foi estuprada pelo padrasto. O maníaco confessou o crime e disse que pagaria R$ 500 à mãe da vítima por uma noite de sexo com ela. Esses fatos já seriam mais do que suficientes para tornar a história repugnante, mas o drama vivido pela menina parece não ter fim. Um novo e assustador capítulo acaba de vir à tona: o estuprador, estaria infectado pelo vírus da Aids. A informação foi passada por um posto de saúde da cidade à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). A reportagem não conseguiu comprovar oficialmente a informação, mas obteve indícios que reforçam a suspeita. Durante depoimento prestado na sexta-feira, ele deixou em dúvida se é soropositivo e minimizou a situação. "Não sei se tenho Aids. Nunca fiz esse exame". Para que não restem dúvidas, a delegada Graciela Ambrósio determinou que ele fosse submetido imediatamente ao exame. Medidas de prevenção foram tomadas em relação à garota. "Ela já foi medicada contra doenças sexualmente transmissíveis e tomou a pílula do dia seguinte. Também está tomando o coquetel de medicamentos de combate à Aids", contou Graciela. A menina foi entregue aos cuidados de uma família de apoio pelo Conselho Tutelar. Os remédios que ela começou a tomar podem ajudar a impedir a contaminação, mas, se Valdeci for realmente soropositivo, a criança corre riscos de contrair a doença. INVESTIGAÇÃO A Polícia Civil pretende ouvir segunda-feira a versão da mãe da vítima. Acusada pelo companheiro de vender a própria filha, ela corre o risco de também ser presa. Desde o dia em que o estupro veio à tona, a mulher já estava sob suspeita. "Achamos estranho o comportamento dela. Mesmo sabendo que a menina corria riscos ao ficar sozinha com o indiciado, ela não tomou nenhuma atitude. Nós já imaginávamos que, de certa forma, houve a participação dela por não ter evitado o crime. Estamos reunindo provas para poder pedir a sua prisão preventiva", afirmou Graciela. Ela é mãe de quatro filhos, mas nenhum mora com ela. Segundo a polícia, seria viciada em drogas e já morou com três homens, um dos quais está preso acusado de homicídios. Não trabalha e vive pelas ruas da cidade pedindo esmolas. Parte do que arrecada, trocaria por maconha e crack. Policiais apreenderam com ela latas de refrigerantes preparadas para fumar crack. A mulher não foi encontrada para comentar as acusações.
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