A cadeia é um mundo completamente diferente, onde há uma lei própria. O conceito do preso no interior das celas é avaliado pelo crime cometido. Autores de grandes roubos têm moral.
Estupro é inadmissível, principalmente quando praticado contra crianças ou familiares. Nesse caso, o autor é submetido a um acerto de contas e sofre sérias conseqüências.
Valdeci Rocha de Moraes foi preso na noite de terça-feira e passou a madrugada seguinte prestando depoimento no Plantão Policial. Em nenhum momento admitiu o crime. Ele deu entrada na cadeia do Jardim Guanabara por volta das 6 horas e já foi "intimado" pelo preso líder para uma reunião. Foi informado das leis internas e confessou o crime com detalhes. "Os presos me quebraram todo. Tive que falar a verdade".
Os relatos do lavrador revoltaram os detentos, que exigiram sua imediata remoção para outra cadeia. Um horário foi estipulado. "Se ele não sair até as 11h30, será morto", teria dito um dos líderes aos carcereiros. Antes do meio-dia Valdeci já estava no presídio de Itirapuã. Lá, também não foi bem recebido. "Se onde passar eu apanhar desse jeito, não vou agüentar".
O estuprador contou os detalhes durante depoimento prestado à DDM na sexta-feira. Ele disse não ter sido violentado pelos presos. "Não. Se fizerem isso, passo uma corda no pescoço e me mato". Valdeci sabe que passará um longo período na cadeia e prevê uma condenação entre 20 e 30 anos. "Fazer o que? Agora é rezar e pedir para Deus". Ao deixar a delegacia, perguntou à polícia se tudo o que havia falado seria divulgado pela imprensa. Estava com medo de os presos se irritarem ainda mais.
Valdeci tem cinco filhos e quatro netos. Teria tentado abusar de uma filha de criação há 10 anos em Passos (MG). Fez tratamento contra dependência química. Usuário de drogas e de bebidas alcoólicas, afirma ter abandonado o vício. "O que ele fez é uma monstruosidade. Para mim, ele é um monstro", disse a delegada Graciela.
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