Mais de 30 crianças sofreram abuso sexual em 2006


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Fernanda, 16, na fazenda da Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino). Atualmente em recuperação, ela se prostituiu dos 14 aos 15 anos para sustentar o vício das drogas. Segundo ela, seus principais cliente
Fernanda, 16, na fazenda da Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino). Atualmente em recuperação, ela se prostituiu dos 14 aos 15 anos para sustentar o vício das drogas. Segundo ela, seus principais cliente
Março de 2006: adolescente de 16 anos é acusado de abusar da prima de apenas 2. Maio: pastor, 38, abusa de menina de 10 anos. Julho: pai é preso após beijar filha de 6 anos na boca. Agosto: aposentado é acusado de violentar garoto de 12 anos. Notícias veiculadas pelo jornal no ano passado retratam um pouco das estatísticas de assédio e abuso sexual em Franca. Oficialmente, pelo balanço apresentado pelo Conselho Tutelar, foram 33 casos. A média registrada de três ocorrências por mês, porém, não condiz com a realidade. “O número de casos é muito maior. Sabemos que várias ocorrências não são denunciadas. As vítimas costumam camuflar o problema porque geralmente acontece dentro da família e elas não querem ‘expor’ a situação”, ressalta o conselheiro tutelar Lucas Verzola. As agressões às vítimas incluem as “cantadas”, convite para dormir junto, passada de mão, carícias nos seios, pernas e partes íntimas e vão até o estupro. O palco escolhido para as ações, em 99% delas, é a própria residência dos menores. E pior: os autores são conhecidos que, na maioria das vezes, estavam incumbidos de cuidar deles. Pais, padrastos, tios, primos, irmãos e até avôs assediam e abusam de menores. “Isso mostra como é difícil prevenir esse tipo de crime. Os autores são ‘pessoas de confiança’. No ano passado, atendi a mãe de uma criança abusada pelo próprio avô que ficou muito abalada e nos questionava ‘como poderia desconfiar do meu próprio pai?’”, disse Ely Vitoriano, conselheira tutelar. Os crimes são praticados por pessoas de todas as classes sociais, em bairros diversos, contra meninas e meninos, sejam eles jovens, crianças ou mesmo bebês. Uma das histórias que mais chocaram se tornou pública apenas na semana retrasada, mas teria acontecido em julho de 2006. O padre Juscelino de Oliveira, 38, é acusado de ter estuprado a prima (com 10 anos na época) durante férias em Franca, na casa dela, no Jardim Aeroporto. Ele atua em São Paulo. A garota não contou para os pais. Eles ficaram sabendo e puderam denunciar o crime somente em outubro depois da filha ter narrado para uma amiguinha a transa com Juscelino e a mãe da colega ter levado o fato ao conhecimento da família. A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) investiga o caso. O padre foi indiciado por estupro e responderá também por atentado violento ao pudor. Juscelino continuará suspenso da Paróquia de Santa Edwiges, de São Paulo, até as investigações serem concluídas. DESCOBERTA Os casos dos quais o Conselho Tutelar toma conhecimento são denunciados por anônimos, pelos próprios pais que percebem sangramentos ou marcas no corpo dos filhos, especialmente na hora do banho ou de trocá-los, e por médicos. Se suspeitam de abuso, os profissionais fazem exame e, se confirmarem a agressão, acionam os conselheiros tutelares. “Fazemos boletim de ocorrência, solicitamos outro exame e tomamos providências. A primeira atitude é abrigar a vítima, afastando-a do suposto agressor. Depois a delegacia investiga a ocorrência para punir o autor”, disse o conselheiro Lucas Verzola. A orientação é denunciar. Mesmo se for apenas suspeita, a pessoa tem de comunicar às autoridades. “Se abusado ou assediado, o menor precisa passar por acompanhamento psicológico para evitar traumas, evitar que cresça revoltado e até mesmo que cometa erros quando for adulto. É comum agressores terem sido abusados. Somente com a denúncia, os criminosos poderão ser punidos”, disse Lucas Verzola. A pena para estupro e atentado varia de seis anos a dez anos para cada crime. Denúncias devem ser feitas ao Conselho Tutelar pelo telefone 3721-4894 ou 9965-1201 ou na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), pelo 3722-9000.

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