Acostumada a lidar com vítimas e autores de atos libidinosos, atentado violento ao pudor e estupro, a delegada da DDM de Franca, Graciela Ambrósio, comentou o perfil dos criminosos e alertou sobre como descobrir e prevenir o assédio e abuso sexual contra crianças.
Comércio - A criança não costuma falar quando é violentada. Como descobrir a agressão?
Graciela Ambrósio - A vítima muda o comportamento, fica arredia, deprimida, é triste e está sempre com aparência de sofrimento, além de ter receio da pessoa que a agrediu. Os pais devem observar sinais no corpo e ficar atentos ao comportamento dos filhos. Geralmente, o abuso ocorre dentro da família. É mais fácil para os agressores em casa. As vítimas ficam à mercê do tio, avô, pai. A presa é fácil porque é indefesa e os autores inescrupulosos aproveitam dessas fragilidades. E as vítimas não falam mesmo da violência por medo das ameaças recebidas, da mãe apoiar o padrasto, pai.
Comércio - Como se explica atração por crianças?
Graciela - Até bebês são vítimas. Um psiquiatra poderia explicar melhor, mas atração pode ser uma doença, pedofilia. Acho que não é só isso, pois há muitos vícios que levam as pessoas a cometerem esses atos. Muitas agressões também são resultados da sem-vergonhice das pessoas.
Comércio - Que traumas os menores podem ter?
Graciela - A criança assediada passa por muitas dificuldades. Estão sujeitas à depressão, ficam com medo de tudo e, mais tarde, podem ter problemas sérios no relacionamento sexual, no casamento e se tornar agressores. Sempre ouvimos que agressor foi abusado quando menor.
Comércio - Há meios de prevenir?
Graciela - A pessoa deve estar atenta, principalmente a mulher, e saber com quem convive, prestar a atenção no comportamento da criança e do companheiro para evitar situações perigosas, que podem resultar no abuso.
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