Prostituição infantil: drama da sociedade


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“Nas minhas saídas sempre estava drogada. Depois eu olhava e falava: eu fiz isso?... A maioria dos homens eram de bar e mais velhos que eu. Na hora de combinar, avisava que usava droga e eles achavam bom. Aí me levavam na boca de fumo, esperavam eu usar para depois fazer programa com eles”. Fernanda (nome fictício), hoje com 16 anos, resume a forma que encontrou para sustentar o vício em crack durante um ano de sua vida. Entre os 14 e 15 anos, a venda do corpo foi o meio de poder comprar a droga e saciar suas vontades. Fernanda não fazia ponto. Os clientes mantinham seu telefone em agendas e marcavam programas nos dias de folga no serviço. “Cobrava R$ 50 ou duas pedras de crack para fazer programa. Alguns usavam comigo também.” Fernanda começou a se prostituir com um senhor. Os encontros serviam para usarem drogas, ter relações sexuais e ela ser fotografada sem roupas e fumando. Ela disse que as fotos eram enviadas para uma zona em Ribeirão Preto. “Um dia a polícia acabou pegando ele. Depois que foi preso (ela acha que ele e o filho, que também participava dos programas com uma amiga dela, foram condenados a 19 anos de prisão), tive de me virar com outras pessoas.” Após denúncias e pedidos de ajuda da mãe de Fernanda, o Conselho Tutelar de Sales Oliveira (ela mora lá) tentou encaminhá-la, por várias vezes, para entidades de recuperação de dependentes químicos. “Não queria ir. Brigava muito. Já não tinha dó de ninguém, nem de mim mesma.” Ela resistiu por muito tempo até ficar com medo de perder a vida ou parar atrás das grades. “Os conselheiros falaram para minha mãe que não davam mais seis meses de vida para mim.” Faz oito meses que Fernanda luta contra o vício nas drogas na Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino). Ela termina o tratamento com nove meses de casa. “Me arrependo muito. De tudo. Quero mudar.” Esse foi um dos casos de prostituição infanto-juvenil registrados na região em 2006. Em Franca, Sales Oliveira, São José da Bela Vista e Cristais Paulista foram 15 ocorrências. Como nos casos de abuso sexual e maus-tratos, as estatísticas registradas pelos Conselhos Tutelares não representam o real. “São os casos que chegaram até nós. De muitos, nem ficamos sabendo. Para complicar, as denúncias de prostituição de menores são difíceis de serem identificadas, depende do flagra”, disse a conselheira tutelar Ely Vitoriano. Os casos envolveram jovens entre 14 e 17 anos, homens e mulheres.

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