Lições sobre a crise da água


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Ao abrir o portão de casa, deparei-me com uma cena rara em nossa cidade: um menino tentava equilibrar-se carregando dois pesados baldes cheios de água, que acabara de buscar em uma mina das proximidades. Fiquei imaginando que os momentos de crise, em que pesem as dificuldades que proporcionam, servem também como processo educativo. Aquilo, com certeza, ficará gravado na memória daquela criança, que talvez nunca tenha sentido o que é ser privado do precioso líquido em sua torneira. Apesar das fortes chuvas que caíram na região, tanto governantes como população usuária devem estar mais atentos quanto ao futuro do abastecimento de água da cidade. No ano passado expirou o contrato entre a Prefeitura e a Sabesp. Agora, essa crise é providencial para que todos os esforços sejam reunidos e que, em decisão democrática, possamos definir um cenário seguro para as questões da água em Franca. É bom lembrar que esse assunto já está sendo tratado há algum tempo pela Sabesp, com o acompanhamento da Prefeitura. Digo isso porque, como prefeito, tive a oportunidade de discutir, inclusive com a participação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Sapucaí Mirim e Grande, dois projetos para ampliar a oferta de água tratada em Franca, um deles através do Rio Sapucaí. Acredito que se essa obra for contemplada no novo contrato, ampliaremos em muito a autonomia de abastecimento da cidade além de mantermos dois sistemas (Pouso Alegre e Canoas) para momentos de dificuldades. Em tempo: quero parabenizar aos francanos que, com um comportamento cidadão, estão enfrentando a situação atual. Em breve, tudo será apenas uma página em nossa história, mas que servirá para importantes reflexões. Gilmar Dominici é ex-prefeito de Franca

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