Mais de 470 famílias de Franca e região estão sem receber o dinheiro repassado pelo Bolsa-Família, programa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, voltado para famílias com renda de até R$ 120 mensais e que tenham filhos com idades entre zero e 15 anos. O Governo Federal constatou que elas não cumpriram uma das exigências do programa: fazer com que os filhos freqüentem, pelo menos, 80% das aulas na escola. Agora correm o risco de ter o auxílio financeiro cancelado definitivamente. Todos os meses, as mais de 13 mil famílias beneficiadas na região recebem juntas R$ 575 mil.
O bloqueio foi determinado depois que o governo analisou os relatórios enviados pelos fundos sociais de solidariedades das cidades da região, responsáveis por acompanhar o andamento do programa. “Eles constataram que essas famílias não estavam mantendo os filhos na escola e suspenderam o pagamento”, explicou a assistente social e gestora municipal do Bolsa-Família em Patrocínio Paulista, Karina de Souza.
Os relatórios foram enviados em novembro. Franca é a cidade com maior número absoluto de bloqueios: 365. Proporcionalmente, a cidade com maiores problemas é São José da Bela Vista. Cerca de 400 famílias recebem o benefício; 40 estão suspensas, o que equivale a 10% do total.
David Nehemy, responsável pelo programa em São José da Bela Vista, explica que quem teve o benefício bloqueado pode regularizar a situação. “Basta os interessados procurarem os fundos sociais e apresentar uma justificativa para as faltas escolares”. O prazo para isso é de 60 dias a partir da notificação do bloqueio. “Quem não justificar terá o benefício cancelado”.
Para serem contempladas, as famílias precisam se comprometer em manter os filhos na escola. A freqüência mensal deve ser superior a 80%. Além disso, as mães também devem manter em dia a carteira de vacinação das crianças. “Não é difícil cumprir o que exige o governo. As famílias só precisam estar atentas e acompanhar o desempenho de seus filhos. Mas, infelizmente, muitas não conseguem”, disse a responsável pelo cadastro, em Ribeirão Corrente, Tatiane Barreto.
Na maior parte dos casos, o problema é a ignorância dos responsáveis que não entendem que a falta dos filhos na escola ou a não vacinação resultará na suspensão do programa.
Colaborou Alex Arcanjoleto
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