Voçorocas avançam e ameaçam engolir casas


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Asfalto das Ruas Ovídio Vanini e Presidente Delfim Moreira, no Jardim Dermínio, afundou com as chuvas.
Asfalto das Ruas Ovídio Vanini e Presidente Delfim Moreira, no Jardim Dermínio, afundou com as chuvas.
As chuvas aumentaram as rachaduras nas casas e ruas do Jardim Dermínio e Bairro Boa Vista e deixaram moradores de, pelo menos, oito imóveis próximos à voçorocas dos dois bairros mais preocupados. Eles temem que suas residências desabem a qualquer momento. “Minha casa está toda trincada. O chão está afundando”, disse o pedreiro Joaquim de Araújo. No Jardim Dermínio, a Rua Presidente Delfim Moreira afundou. O asfalto está cedendo e com rachaduras no chão. No endereço, três imóveis continuam ocupados. Seis já foram desocupados pela Prefeitura por estarem em área de risco. Uma das moradias, a de número 490, é a do pedreiro Antônio Muniz de Souza, 59. Ele comprou o imóvel há mais de 30 anos. Há pelo menos 10, sofre com as rachaduras nas paredes. Os estragos se intensificaram com as chuvas de janeiro. A residência dele está separada por uma fenda de aproximadamente 10 centímetros da do vizinho. “As casas estão descolando uma das outras. Está tudo partindo. O chão da garagem já era afundado e a rua tinha trincados, mas agora está ficando mais grave”, disse o morador. “Para piorar, o solo daqui é podre. Nossas casas estão condenadas. Dizem que vão indenizar, mas estão só adiando até a casa cair em cima da gente e nos matar.” Todos os dias, fincas já formadas aumentam; muros e chãos da garagem, quartos e cozinha ganham novos trincados. “À noite, a casa inteira estala. Acordo de hora em hora com os barulhos. Só no dia seguinte, descubro outras rachaduras”, disse Maria Souza, 54, mulher de Antônio. Há três anos, a residência do casal foi avaliada em R$ 40 mil. Na época, perícia feita pela Defesa Civil constatou risco de desabamento. A Prefeitura tentou removê-los, mas se recusaram. Hoje, a resistência em deixar o local não existe. Depois de verem casas dos vizinhos despencarem (como o da esquina de cima que desmoronou na última segunda-feira) e a rua ceder, querem sair, mas têm poucas opções. “A Prefeitura disse que não vai mais pagar aluguel para quem mora em área de risco. Não temos parentes para nos acolher e não poderíamos ir para outro lugar e deixar nossas coisas aqui, pois invasores levariam tudo, como aconteceu com os vizinhos.” [FOTO2] Antônio disse que procurou a Prefeitura, pediu para avaliarem a situação no bairro, mas não obteve retorno. “A casa está para cair e pode nos matar enquanto dormimos.” A diarista Renilda Domingos, 34, vive na casa dos fundos com o marido e dois filhos de 10 anos e 2 meses e está assustada. No local, a cozinha e a sala estão se separando. A fresta entre os cômodos permite ver dentro da casa do vizinho. “Com tanta chuva, a casa vai cair. Já cansei de não ter onde ficar. Fiz inscrição na Prohab em 1996 e agora o imóvel que aluguei está para cair.” OUTRO FOCO As chuvas levam preocupação também à região norte. No Bairro Boa Vista, cinco casas estão com paredes trincadas e muros pendendo. “O chão está abrindo. Dá para ver a terra partida. O muro só não caiu porque os bambus estão escorando”, disse a auxiliar-administrativa Mônica Gomes, 15, que mora na Rua Boa Vista. “Faz tempo que lutamos na Prefeitura e nada.” Os moradores sugerem jogar entulho ou fazer alicerce para segurar as casas.

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