Quem tem o ouvido mais apurado e freqüenta baladas com DJs de qualidade sabe que a música eletrônica é muito mais que a pejorativa onomatopéia “putz! putz!” usada por quem pretende denegrir esse tipo de som. A música eletrônica, marginalizada pelos mais puristas, tem, sim, sua riqueza e matizes variadas.
Existem vários sub-gêneros, para todos os gostos. Os artistas que executam esse tipo de trabalho, os DJs (Dee Jays, ou Dê Jotas), precisam ter talento e conhecimento do assunto para poder animar festas que reúnem milhares de pessoas.
“Não é brincadeira. Já toquei para 18 mil pessoas. É muita responsabilidade e pressão. Você vira ponto de referência, são muitas pessoas que estão ali e pagaram para estar ali e querer ficar felizes”, descreve o DJ Giuliano Marangoni, 22, que começou a carreira fazendo som durante intervalos da banda de rock de seu irmão quando tinha apenas 15 anos. Hoje, Marangoni é convidado para tocar em festas de todo o País. Nesta noite, ele mostrará seu trabalho na festa Kaballah, na chácara do Democrata (atrás do Distrito Industrial), e pode ser encontrado também todas as quartas e quintas-feiras de janeiro no bar Sol Brasil (próximo ao Franca Shopping).
Sobre os requisitos que esse tipo de músico deve ter, Marangoni aponta como fundamental conhecer teoria musical, saber mesclar os ritmos e, principalmente, “feeling”, saber sentir a pista, saber que música a galera quer ouvir. “É preciso também conhecer coisas, ter contatos, descobrir sons que estão rolando no mundo, coisas diferentes”.
Mas, segundo ele, existem muitas pessoas desqualificadas querendo ser DJ que acabam queimando o filme dos profissionais. “Tem gente que cobra baratinho, chega lá, coloca um som nada-a-ver e atrapalha o mercado para quem trabalha direito”, explica. Marangoni, especialista em house music, aponta ainda a existência de “trocadores de CD” que, segundo ele, não merecem ser chamados de DJs. “Ele põem umas musiquinhas batidas, que tocam em qualquer lugar, copiam mixagens dos outros. O DJ de verdade busca coisas novas, faz músicas exclusivas e paga os direitos autorais quando usa alguma coisa alheia”, defende.
A existência de “picaretas” é denunciada ainda pelo DJ JR (Manoel Soares Júnior), de Ribeirão Preto, cuja área de atuação é o trance e o psy trance, estilo ligado às festas afastadas da zona urbana que duram horas, conhecidas como “raves”. “Tem aventureiro que não entende nada e quer dar uma de DJ para fazer graça ou moral com as meninas”, reclama Jota.
JR aproveita a entrevista para defender as “raves”, festas que nos últimos tempos têm sido alvos de severas críticas preconceituosas. “A ‘rave’ é uma festa no meio da natureza, uma celebração da vida, é só alegria. Há quem associe as raves às drogas, mas não tem nada a ver. Como em qualquer lugar, há gente de vários tipos. Em micaretas há aqueles que se entopem de lança-perfume ou maconha, mas não são todos que fazem isso. Em shows sertanejos tem aqueles que enchem a cara, mas não são todos que são alcoólatras. Não se pode generalizar nunca. A ‘rave’ é algo muito bonito”.
Para quem quer curtir uma música eletrônica este fim de semana, além da festa Kaballah, haverá baladas hoje e amanhã à noite na Lemon Disco Club. Só na vibe, só alegria.
AGITOS EM FRANCA
NIGHT REVOLUTION PARTY
Sexta-feira, 26 de janeiro, 23 horas
Local: Lemon Disco Club
Atrações: superfesta com a presença dos Top DJs Look DB, Leandrim, Lynkin, D-Science e Thiago Costa, tocando o melhor da música eletrônica
Preço: R$ 10 mulher e R$ 15 homem
Informações: (16) 9225-7880
ADIDAS VIP
Sábado, 27 de janeiro, 23 horas
Local: Lemon Disco Club
Atrações: participação de Top DJs com open-drinks (hi-fi, refri, vodca, caipirinha e caipirosca)
Preço: R$ 10 feminino e R$ 15 masculino
Informações: (16) 3018-1783
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