Domingo, 20 horas, chove muito em Franca. A sapateira desempregada Jane Clair Venerando, 28, assiste TV na sala quando ouve um barulho parecido com tremor. Ela corre para o quarto onde dorme o filho Júnior, de 3 anos, e o retira da cama. Minutos depois a parede do quarto desaba e a casa é tomada por água e lama. "Foi um susto enorme. Por pouco, meu filho não se feriu".
A família não foi a única que teve problemas com imóveis após as chuvas do fim de semana. De acordo com a Prefeitura, outras quatro casas foram interditadas, duas no Jardim Palma e duas no Paulistano. A casa simples dos Venerando, de quatro cômodos, fica na Avenida Antônio Barbosa e abriga sete pessoas: Jane, o marido Jayme Teoni, 29, e os filhos Jéssica (11), Jhenifer (8), Júlio (7), Júnior (3) e Juliy (1). A família mora de favor. No domingo, a enxurrada que se formou no quintal levou o muro e a parede de um dos quartos.
Eles chegaram a ser socorridos pela Defesa Civil e levados ao Abrigo Provisório, mas, na manhã de segunda-feira, decidiram voltar para a casa. "Não queria mais ficar lá. Não gostei. Como não tinha para onde ir, preferimos voltar para nossa casa e cuidar das coisas e dos móveis", disse Jane.
Com os cinco filhos, Jane e Jayme preferem se arriscar. A casa está condenada. Uma nova chuva forte pode derrubar as paredes do quarto do casal. Ela diz que não pode ir para a casa de parentes porque todos pagam aluguel e não têm como hospedá-los. "Não temos para onde ir. A opção é ficarmos aqui".
Desde a noite de terça-feira, o casal se reveza para dormir, com medo de que ocorra novo desabamento. "Jayme dorme parte da noite enquanto eu fico acordada. Depois durmo eu. Ficamos de vigia para proteger nossos filhos".
Desempregada, Jane disse que a única coisa que quer é alugar uma casa em outro local e conseguir um emprego. O marido, que trabalha como `chapa`, também não tem nada fixo e, quando consegue algum bico, aproveita para comprar comida e gêneros básicos para a família, como fraldas e remédios.
[FOTO2]
Com a chuva do fim de semana, a família perdeu colchões, teve alguns móveis atingidos pela lama e quase ficou sem a geladeira, que agora está em cima de tijolos. “Foi a forma que encontramos para prevenir novos problemas com a chuva. Acho que resolvemos a situação”.
REAÇãO
Como a família não quer abandonar o imóvel, a exemplo de outras pessoas no Palma (onde parte de uma casa desabou e outra corre o risco) e no Paulistano (onde um muro de arrimo coloca em risco duas casas), a Prefeitura pro-mete intervir para resolver o problema.
"Vamos tentar ajudar e esperar que não chova mais até que os reparos sejam efetuados", disse Wilson Teixeira, secretário de Planejamento Urbano. Ele firmou, ainda, que, como os estragos foram causados pelas águas das chuvas, a Prefeitura vai assumir a res-ponsabilidade total pelos reparos em todos os locais afetados pelas chuvas da última semana.
Não existe previsão, contudo, sobre os custos envolvidos na recuperação. As equipes da Prefeitura devem começar as avaliações hoje e as obras propriamente ditas estão previstas para o fim da semana.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.