O cometa McNaught


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As nuvens e chuvas intensas estão me tirando um grande espetáculo da natureza, o cometa McNaught, o mais brilhante a passar perto da Terra nos últimos 42 anos. Pode ser visto a olho nu em todo o Brasil. Usando binóculos e telescópios, estará visível quase até o fim do mês. O cometa McNaught é cem vezes mais brilhante que o Halley, visto em 1986. Ele pode ser observado onde se vê o pôr-do-sol. O cometa já fez sua aproximação máxima do Sol. Agora ele se afasta da Terra e, não se sabe, pode não voltar nunca mais. E alguns astrônomos acreditam na possibilidade de que ele seja aniquilado pelo sol. Os astrônomos ainda não sabem seu destino, nem sua massa. De qualquer forma, a passagem do cometa perto da Terra servirá para estudos sobre sua composição e revelar dados sobre a composição do aglomerado de matéria que existia nesta região do Universo antes de o Sistema Solar se formar. O cometa pode conter informações interessantes sobre a origem do Sistema Solar, conforme explica Francisco Jablonski, astrônomo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A espectroscopia, separação da luz por cores, pode calcular a proporção relativa dos elementos químicos que o compõem. Observações estão sendo feitas também pelas sondas Stereo e Soho. Os cometas sempre despertaram emoções nos seres humanos, porém o fato mais incrível ocorreu em 1993, com a descoberta do cometa Shoemaker-Levy 9, que atingiria o planeta Júpiter. Esse cometa partiu-se em 18 pedaços que se afastaram até parecer um colar de pérolas, estendidos em linha reta, cada um com sua cauda de gases e poeira brilhando à luz do Sol. O choque aconteceu 16 meses depois, em julho de 1994. As colisões marcaram Júpiter, cinco grandes marcas negras eram visíveis onde os fragmentos do cometa caíram. Maravilhou astrônomos e alertou a humanidade do perigo iminente. O cometa é o menor corpo do sistema solar, parece um asteróide, mas é composto principalmente por gelo, ou gelos de dióxido de carbono, metano, amônia e água, misturados com poeira e vários minerais. Acredita-se que os cometas sejam os restos da formação do nosso sistema solar. No nosso sistema solar, as órbitas dos cometas vão além da órbita de Plutão (que foi rebaixado a planeta anão juntamente com outros descobertos na mesma região). O McNaught provém daí, da chamada Nuvem de Oort, que fica cerca de cem mil vezes a distância da Terra ao Sol. A maioria dos cometas que entram no sistema solar interior, onde está localizada a Terra, possui órbitas altamente elípticas com o Sol. Classificamos os cometas pela periodicidade das órbitas, ou seja, cometas com aparições de até duzentos anos são classificados de período curto, acima disto são classificados de período longo. Um cometa é um núcleo pequeno que, ao se aquecer, fica envolto por uma névoa brilhante e uma coma, ou cabeleira, cuja forma é aparentemente esférica. À medida que se aproxima do Sol, seu brilho aumenta, o vento solar faz aparecer a cauda (a coma) que pode chegar a alcançar centenas de milhares de quilômetros de extensão, por isso a coma é sempre radial ao sol. Sempre há cometas para serem observados, a maioria possui um brilho fraco e só pode ser observado por telescópio. Cometas com magnitude menor que 10 (mais brilhantes) podem ser vistos com binóculos e os de magnitude até 5 podem ser vistos a olho nu (muito mais brilhantes), longe da poluição e luminosidade das grandes cidades. MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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